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Arquivo mensal: setembro 2011

Fotos já estão nos posts

Conforme prometido, inseri várias fotos em praticamente todos os posts. Eu sei que dá trabalho navegar por todo o blog, mas é para elas ficarem nos lugares certos.

Poderia ter colocado mais fotos (só eu tenho mais de 600), mas achei que ficaria mais ilustrado do que comentado. Em muitas ocasiões, eu não tinha muito tempo para escrever posts completos, então alguns deles ficaram bem resumidos. Mas, essa é a natureza dos blogs.

Fora os primeiros posts, depois consegui colocar uma espécie de legenda nas fotos, é só passar o cursor em cima delas.

 
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Publicado por em setembro 21, 2011 em Africa

 

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Leste da Africa – Resumo Final

Bem, estou em Joanesburgo, aguardando meu voo de volta pra casa. Passei as ultimas 5 semanas contando, em quase todos os detalhes, essa viagem. Pra quem chegou agora, vou fazer um resumo, tentando colocar em ordem minhas opinioes sobre os 4 paises em que estivemos : Etiopia, Uganda, Ruanda e Quenia.

Pobreza : medalha de ouro para a Etiopia. Fora de Addis, a grande maioria nao tem nem sapato, e olha que faz frio onde estivemos. A preocupacao e’ o dia seguinte, e nao o futuro. Nao ha perspectiva alguma. A explosao populacional so’ agrava o problema. Quem paga a conta e’ o meio ambiente, ja’ quase nao ha’ florestas originais. Uganda vem em seguida, com uma impressionante densidade populacional. Mas esta’ melhor do que a Etiopia. As perspectivas sao melhores tambem, ja’ que houve importantes descobertas de petroleo recentemente. O pais tem muitos atratativos, potencial turistica, que infelizmente e’ pouco explorado. O Quenia vem em seguida, e tem uma grande vantagem : por sua posicao geografica, porte, e passado relativamente mais tranquilo que os vizinhos, e’ o queridinho das organizacoes que querem se estabelecer no Leste da Africa. Nairobi e’ um hub nao so’ aereo, mas como sede destas organizacoes. O potencial turistico e’ o maior de todos, o Parque Nacional Masai Mara sendo a joia da coroa, com seus safaris espetaculares. Seu litoral e’ tambem muito explorado (especialmente por italianos endinheirados). Pena que so ha’ 3% de florestas nativas, o descaso com o meio ambiente e’ assustador, e a populacao continua crescendo muito mais do que deveria. Em ultimo, o que e’ uma coisa boa neste quesito, vem Ruanda. Sendo o menor dos 4, tem a vantagem de ser mais administravel. Porem, com o recente genocidio, houve uma reviravolta em sua trajetoria. Recursos polpudos da arrependida comunidade internacional, mais um governo com mao de ferro, porem bem intecionado com relacao ao progresso e combate a corrupcao vem alcando Ruanda no ranking africano. E’ superior a olhos nus, por qualquer criterio, menos um : a densidade populacional e’ alarmante. Nao ha’ mais espacos vazios no pais, fora dos parques nacionais nao ha mais florestas nativas, e a pressao so’ aumenta com o aumento da populacao.

Povo : neste quesito a medalha de ouro vai para Uganda. O povo e’ disparado o mais simpatico, como ja’ disse antes as pessoas cumprimentam com “How are you today?”, todos parecem querer receber bem o turista. No Quenia, onde estivemos somente no litoral, destaca-se Lamu, onde mesmo quem nao tem “negocios” com os turistas faz questao de cumprimentar, dizer “Welcome”, e as criancas sao encantadoras. Na Etiopia, pela carencia aguda de tudo, todos cumprimentam pedindo algo, as criancas querem dinheiro para tirar fotos, acaba sendo um pouco cansativo. Porem temos que entender que eles nos encaram como uma chance de conseguir algo, qualquer coisa mesmo. Ja’ Ruanda fica em ultimo, o povo e’ muito mais serio, ninguem cumprimenta espontanemente, estao preocupados em tocar suas vidas.

Comida : esse quesito e’ muito dificil de julgar. Depende de cada restaurante, de cada prato que escolhemos, e claro que do gosto de cada um. O Leo e’ quase vegetariano (come peixe), e teve suas limitacoes. Eu nao como manteiga, e por precaucao, quis me comportar. Acabamos nao ousando muito, o que significa comer muito peixe, massas, e poucos pratos tipicos, que via de regras levam muita carne e frituras, alem de pimenta pesada. Mas admito que comida nao foi o ponto alto da viagem. Por outro lado, salvo uma unica excecao, nao tive qualquer problema (claro que vou tomar remedio para germes assim que chegar do aeroporto hehe).

Hoteis : procuramos ficar em hoteis, sempre em quartos duplos com banheiro dentro. So’ isso ja’ diminui o perrengue. Porem, em alguns lugares, ou os hoteis sao ruins mesmo, ou se paga os tubos, e os hoteis continuam ruins. A Etiopia tem os piores, disparado. Nao ha qualquer investimento em melhoras minimas, como pintura, limpeza, iluminacao, manutencao de qualquer tipo. As vezes demos sorte, e o de Lamu merece medalha de ouro, o de Lake Bunyonyi a de prata, e acho que nao dou medalha de bronze pra ninguem. Fica facil assim?

Transporte : este quesito mereceria um post a parte. As viagens de onibus sao uma aventura por si so’. Ou se leva na esportiva, e se diverte a valer em cada uma delas, ou desiste. Nao ha qualquer viagem de onibus convencional. O que dizer das vans? So’ saem quando estao cheias, alias cheias nao. Entupidas. E ai’ acontece de tudo. Na van dos espanhois que conhecemos na Etiopia uma galinha botou um ovo no meio da viagem!  E os tuk-tuks? So’ de andar neles da’ vontade de rir. Os motoristas sao umas figuras. Em Axum, o motorista queria passar um torpedo no meio de uma estrada toda esburacada, em Mombasa , o cara nao sabia o caminho para o hotel, e a estrada era horrorosa, achei que o tuk-tuk dele foi desmontar literalmente. Na volta acabou a gasolina na estrada, tivemos que empurrar, o cara levou na maior esportiva. Demos ate’ gorjeta. Enfim, pra quem quer uma experiencia africana de verdade, tem que passar por tudo isso, ou entao fica faltando algo.

Limpeza : definitivamente a Africa nao e’ para amadores. Salvo as ruas de Ruanda, nao existe QUALQUER preocupacao em limpeza, ou com o meio ambiente. Foi o ponto mais baixo da viagem, disparado. Alem do desconforto de caminhar no meio de lugares imundos, fedorentos, a constatacao de que isso nao incomoda a ninguem foi chocante. Talvez seja o que me desestimule a voltar aqui logo.

Custos : dormindo onde dormimos, pegando os transportes que pegamos, comendo o que comemos, e’ impossivel gastar muito. Olha que pegamos varios voos internos, mas que tambem sao baratos. E nao dormimos em espeluncas, so’ pegamos onibus das melhores categorias disponiveis (!?!?), so’ comemos em restaurantes, nunca em camelos. Pra gastar mais, tem que mudar de categoria de hotel, restaurante, etc, ai’ a viagem muda de classificacao tambem.

Vistos : so’ por curiosidade, da’ pra tirar TODOS eles nas fronteiras, nao precisa providenciar nenhum com antecedencia. E saem mais barato por aqui.

Policia : dizem que na Africa as vezes sao mais perigosos do que os bandidos. Nao tivemos nenhuma experiencia ruim com policia, nem com corrupcao. Nao da’ pra falar nada deles. Nao sei foi sorte nossa, mas parece que a coisa esta’ melhorando.

Seguranca : no inicio, na Etiopia, eu andava com a pochete, pois tinha sensacao de seguranca total. O que me incomodava mais era saber que tinha dentro dela mais dinheiro do que a maioria daquelas pessoas tinham na vida toda (e nao era tanto assim). Quando chegamos em Nairobi, para pegar o onibus ate’ Kampala, eu aposentei a pochete, passei a usar o cinto interno, e fui assim ate’ o final. Mas continuei nao tendo qualquer sensacao de inseguranca. Passamos por inumeros lugares escuros, onde comentavamos que se fosse no Brasil nao passariamos de jeito nenhum. Ja’ mencionei o caso das bombas de Kampala, que nao lembravamos, portanto nao tivemos qualquer receio. E o caso do turista ingles assassinado em um resort perto de Lamu no dia em que chegamos. So’ descobrimos depois. Nao sei se o link vai funcionar, mas segue o da BBC sobre o caso :

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-14943300

Outros viajantes : bem, em uma viagem como a nossa, eles sao tao ou mais doidos do que nos. Isso significa muito papo sobre outras viagens, muitas dicas, muitas opinioes diferentes, mas via de regra muito interessantes. A grande maioria tem idade para ser nossos filhos, mas parece nao se importar muito com isso. Sempre ha’ algum assunto interessante, sempre vale a pena puxar papo. Sempre aprendemos algo, em cada conversa. Claro que ha as excecoes, mas nao podemos reclamar.

Planejamento : nao tive muito saco pra ir mais a fundo no planejamento, mas posso dizer que foi um sucesso. E’ so’ pegar o mapa no inicio do blog, com o roteiro programado, e comparar com o realizado. A diferenca pra mim ficou com o leste da Etiopia, que entrou nos planos por conta dos dias ganhos fazendo de aviao o que fariamos de onibus. E para o Leo, que foi conhecer Malindi, pois tinha um dia a mais do que eu. No mais, chegamos a ganhar algum tempo, nao so’ por voar, mas por pegar um onibus noturno (Nairobi – Kampala), e pelos transportes serem mais disponiveis do que previamos. Nao consigo pensar em um plano diferente, mesmo ja’ tendo vindo, e descoberto como sao as coisas. Nao houve nenhum lugar que nos levasse a pensar “Por que nao planejamos ir para la’?”. Claro que ha’ muitos lugares, principalmente em Uganda que devem valer a pena, mas fica pra proxima (vida?).

Companhia : nao ha’ o que reclamar. Nao teria feito sozinho. Agora nao basta dizer isso, porque pra fazer essa viagem, tem que ser com alguem que esta’ a fim de ter essa experiencia. O Leo, mesmo com seu jeito reclamao de ser, curtiu tanto quanto eu, queria ter a mesma experiencia. Nunca evitamos encarar uma van lotada, um mercado cheio e fedorento, etc. Quando a coisa piorava, eu sempre lembrava que estavamos pagando em dolar por aquilo, e logo davamos risadas. Foi muito bom. Cinco semanas na Africa, e no final, em vez de cansados um do outro, ja’ estavamos planejando a proxima. Ui!

Bem, e’ isso ai’, agradeco o apoio, nao so’ pelos comentarios, que nao foram muitos, mas pelo numero de acessos, que foi maior do que imaginava (nao avisei pra tanta gente assim que estava embarcado nessa aventura). Prometo postar as fotos assim que chegar.

 
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Publicado por em setembro 19, 2011 em Africa

 

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Lamu – happy ending

Lamu e’ uma ilha, e tem uma vila como a Vila do Abraao, na Ilha Grande, que tambem se chama Lamu. Tem um monte de vielas estreitas, e e’ repleta de mesquitas e lojinhas, alem dos 3.000 jumentos, e nativos que levam uma vida bem devagar, e os turistas, e’claro. Que nao eram muitos, ja’ que estamos em baixa estacao. Chato sao os barqueiros querendo vender passeios o dia (e noite) inteiro. E os camelos, querendo vender quinquilharias.

Andando 3 Km para o leste, chega-se a outra vila, chamada Shela. Parece que mudamos de continente, as ruas sao limpissimas, casas maravilhosas, barcos lindos, hoteis de boutique, e logo depois, kms de praias desertas e paradisiacas. Ninguem pode nos culpar por decidir passar 5 dias por aqui (em Lamu, mas todos os dias fomos a praia).

Realmente e’ um destino magico, que no entanto tambem tem seus problemas. E o maior deles e’ o sanitario. Ruas sujas, com caca de jumento pra todo lado, valas a ceu aberto correndo pelos cantos, e todo o lixo indo direto pro mar. Como disse antes, ficamos em um excelente hotel, o melhor da viagem, enfim, o perfeito final para esta viagem maravilhosa. Mas pra quem quer vir com mais estilo, basta ficar em Shela, que nao passa pelos problemas sanitarios. Mas definitivamente vale a pena. Achei mais legal do que Zanzibar, que fica na Tanzania, e’ bem maior, porem menos tipica. De novo, os celulares e a internet sao as unicas coisas que ligam ao nosso seculo.

Um detalhe insolito. Neste ambiente islamico, quase nao se acha cervejas para comprar em restaurantes e mercados. Um dos lugares preferidos e’ a Police Canteen, o que e’ uma cantina da policia! Isso mesmo. E o mais diferente e’ que para se chegar la’, tem que passar num caminho estreito entre um lixao cheio de jumentos se alimentando de tudo e um cemiterio muculmano. E de noite e’ um super breu.

Hoje iniciei minha viagem de volta ao Rio. Alias, longuissima viagem. Vamos a ela :

7:45 da manha = barco para o continente (30 minutos)

9:00 da manha = onibus para Mombasa, de onde vou pegar o onibus noturno para Nairobi. Este onibus deveria chegar por volta das 5 da tarde, e eu ainda teria que comprar a passagem do onibus para Nairobi. O Leo decidiu ficar os 2 ultimos dias dele em Malindi, uma praia que fica no caminho para Mombasa, e de la’ele voa para Nairobi na segunda. 25 km antes de Malindi, acabou o diesel do onibus, e ficamos a pe’na estrada. Em 2 minutos ja’tinham 2 tuk-tuks, 1 taxi e 2 vans oferecendo transporte para Malindi. O motorista disse que em 5 minutos o diesel chegaria, mas depois de 30 minutos eu fiquei lembrando da piada do cara que morre afogado, e na primeira van que passou para Malindi em embarquei.

Chegando la’, peguei outra para Mombasa, e cheguei na empresa de onibus as 5:30. Peguei uma poltrona na ultima fileira, quase perdi o onibus. E’muita emocao para uma pessoa so’. Agora estou esperando a hora da partida, 10:30 da noite. Devemos chegar as 6:30 da manha, e o onibus me deixa dentro do aeroporto de Nairobi.

Cumpri o prometido de fazer uma viagem de onibus sem comentarios (foi a da ida para Lamu). Mas hoje nao deu pra segurar. A viagem de volta foi uma repeticao da da ida, porem mais “divertida”. O onibus partiu cheio, com varias pessoas de pe’. 2 minutos depois ele parou, sairam 8 e entraram 4. Ate’ai’tudo bem, 1 minuto depois ele parou de novo, entraram 10, sendo que 8 mulheres, 7 delas com bebes de colo. Eles simplesmente vao distribuindo os bebes e as criancas de colo entre os outros passageiros, ja’que nao conseguem andar de pe’, com eles no colo. E assim vai, parando a cada 5 minutos, um entra e sai sem fim. Muito engracado. Tinha ate’uma caixa cheia de pintinhos vivos, piando a viagem toda. Infelizmente acabou no meio da estrada, sem diesel.

Chegando ao Rio, farei um resumo da viagem e colocarei as fotos em todos os posts, para quem quiser ve-las.

 
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Publicado por em setembro 17, 2011 em Quenia

 

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Africa – por mim

Hoje faz 30 dias que saimos do Brasil, e a viagem esta’ chegando ao fim. Faltam 4 dias. Estava esperando este momento para fazer uma analise, uma visao minha sobre o que eu vi, ouvi, li e aprendi sobre a Africa. Nao sou nenhum professor, nem tenho pretensao de ensinar a historia da Africa, mas e’ apenas um apanhado de pensamentos.

Analisar a Africa como um todo e’ um erro monumental. Um continente com mais de 1 bilhao de pessoas, 54 paises, nao pode ser tratado como um corpo unico. No entanto, ha’ uma serie de fatores que permitem uma analise, que se por um lado e’ superficial, por outro da’ a entender porque este ainda e’ o continente esquecido (menos para os chineses).

Por sua localizacao estrategica, a Africa sempre foi passagem, por terra e depois por mar, da Europa para o oriente. Varias tribos viviam por aqui, cada uma com seus lideres, seu espaco, enfim em um certo equilibrio. Obvio que guerras e conflitos sempre houve, mas a chegada dos colonizadores mudou tudo. O Tratado de Berlim, em 1885 simplesmente dividiu o continente entre as potencias colonizadoras. Inglaterra e Franca ficaram com os maiores nacos, mas Portugal, Espanha, Alemanha, Belgica e Holanda tambem tiveram seus pedacos. O resultado nao podia ter sido pior. Paises foram criados onde havia varias tribos que conviviam bem, e passaram a fazer parte de uma mesma nacao. Claro que nao havia nem democracia, quanto mais espaco para dividir o poder entre elas. Alias, entre ninguem. As colonizacoes foram em geral apenas para explorar os recursos naturais ao maximo, sem concessoes nenhuma a ninguem.

Quando a onda de independencia chegou, parecia que tudo iria melhorar. Mas foi exatamente o contrario. Paises foram declarados independentes sem qualquer elite preparada para governa-los. Nao havia classe politica, administrativa, economica, enfim quem tomou o poder foram ditadores que queriam aproveitar, e beneficiar a si e suas tribos e amigos. Esta’ ai’ outro fator muito comum por aqui, presidentes que nao querem largar o osso de jeito nenhum. Com a iminente queda do Kadafi, o mais antigo passa a ser o presidente de Angola, que esta’ no poder desde 1975. Mas ha’ varios outros. E quase nenhum deles se mostrou competente para gerenciar os conflitos tribais, nem para criar uma base para o futuro de seus paises.

A realidade entao e’ triste, e infelizmente tende a piorar. Salvo algumas exceçoes (ja’ falei sobre Ruanda), as elites continuam a enriquecer, a querer se perpetuar no poder, deixando o povo cada vez mais pobre. Os servicos em geral sao super precarios, saude, educacao, infraestrutura, limpeza (nenhuma). Onde tem investimento, via de regra e’ chines, mas sempre com contrapartidas, uma especie de nova colonizacao. Recursos naturais continuam sendo explorados pelos antigos colonizadores, atraves de contratos totalmente parciais, lesivos aos paises, mas que na maioria das vezes nem tentam altera-los (a corrupcao e’ outro mal endemico). E o povo, sem qualquer preparo, segue sua vida durissima, na maior parte dos paises sem forcas para reinvindicar melhorias. Onde ha’ novas dscobertas de petroleo, ou outro mineral, ha’ sempre companhias estrangeiras prontas para explorar, mas contrapartida e’ sempre voltada para os dirigentes. Se tivesse que apostar no futuro deste continente, teria minhas duvidas. A explosao populacional, o descaso com o meio ambiente, o esquecimento da comunidade internacional me desanimam. Por outro lado, muitos investimentos estao vindo de fora (China, de novo!), muitos paises ja’ estao em paz, e a globalizacao tambem ajuda muito.

Viajar por aqui neste mes serviu para enxergar com nossos proprios olhos tudo isso que a maioria das pessoas ja’ sabia, nao ha’ qualquer novidade. Mas estando aqui, vendo o dia a dia do povo e’ de entristecer, e nos deixarmos sem muitas esperancas.

Mas sempre ha’ um outro lado. Primeiramente, e mais importante que tudo, o povo. Salvo as diferencas culturais, que nao sao poucas, o povo e’ super hospitaleiro, quer de coracao que os turistas se sintam bem. Claro que ha’ os pedintes, os que querem empurrar algum produto ou passeio, mas esses existem em qualquer lado. As vezes ficamos confusos, se as pessoas estao sendo genuinamente simpaticas e receptivas, ou se ha’ uma segunda intencao. Na maioria das vezes nao ha’.

As atracoes turisticas, sejam historicas ou relacionadas a natureza (paisagens e animais) sao riquissimas. Os custos sao bem mais baixos, as pessoas que encontramos sao bem mais interessantes, e permitem conversas mais profundas, cada um com a sua visao (esta e’ a minha). Todos sem exceçao ja’ vieram outras vezes e/ou querem voltar e conhecer mais. Este e’ o meu caso, quem sabe no futuro.

A viagem cumpriu ate’ mais do que o esperado, foi mais rica. Claro que a companhia de uma pessoa (Leo) que esta’ na mesma sintonia ajuda, mas o planejamento pouco mais que superficial que fizemos antes da viagem foi base para um roteiro que teve um pouco de tudo. Atracoes historicas (Etiopia), naturais (Uganda), politicas (Ruanda) e de lazer (Quenia). Pra todos os gostos. Nao da’ pra escolher o melhor, acho que Uganda ficou mais presente nos nossos coracoes, e realmente se tivesse que escolher, esse seria meu favorito. Mas tambem injusto com os outros, cada um com suas atracoes, suas possibilidades. Um detalhe sobre Uganda : tinha me esquecido completamente que durante a final da Copa de 2010 houve um atentado triplo a bomba, matando 86 pessoas. Foi em Kampala. Como nem me lembrava, nao tive a menor preocupacao com seguranca quando estava por la’. So’ depois e’ que li uma reportagem criticando a falta de seguranca, apenas pouco mais de 1 ano apos os atentados. O que os olhos nao veem o coracao nao sente.

Hoje ainda estamos em Lamu, decidimos ficar mais 1 dia, so’ me resta a noite de amanha em Malindi, depois comeca a viagem de volta. Prometo inserir fotos em todos os posts, assim que chegar.

Soubemos ontem que um turitas ingles foi morto e sua mulher sequestrada por piratas somalis aqui perto de Lamu, no domingo, o dia que chegamos. Fica na verdade em um resort mais ao norte, bem proximo da fronteira com a Somalia. Nao alterou em nada o dia a dia da ilha, ate’ onde notamos.

 
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Publicado por em setembro 15, 2011 em Africa

 

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Mombasa – Terra de contrastes

Conseguimos ao apagar das luzes, pagando uma multa, antecipar nosso voo para Mombasa para a sexta. Acabamos ficando apenas 3 dias em Ruanda. E’ uma injustica julgar o pais por isso. Kigali e’ um ponto de apoio muito melhor do que Kampala, pois e’ bem mais agradavel, e muito mais perto dos parques, mesmo os de Uganda. E aqui mostrou ser bem mais facil de se conseguir os ingressos para ver os gorilas. Bem, mas ja tinhamos os visto em Uganda. E nao tinha mais nada pra fazer por aqui.

Assim como quase todos os paises da Africa, Ruanda e’ governada por um presidente, que nao quer largar o osso. Isso eu chamo de ditadura, pois eles simplesmente atropelam a democracia sem do’ nem piedade. A diferenca de Ruanda para os outros paises, e’ que o presidente governa para melhorar a vida do povo. Os impostos sao altos, mas os servicos existem (nos outros paises eles inexistem). A corrupcao e’ baixa, e bem castigada. Por isso vimos ruas limpas, estradas em bom estado, o povo pacifico, que na verdade e’ o resultado de muita repressao e policia nas ruas. Os hutus e tutsis convivem bem, mesmo depois do genocidio tao recente, pois sao forcados a isso. Podemos ver do lado positivo ou negativo. Eu vi pelo lado positivo, principalmente comparando com os paises vizinhos. Por isso e’ que Ruanda nao anda frequentando mais os noticiarios.

Bem, voamos para Mombasa na sexta. Chegamos a noite, o que nao e’ muito bom. Chegar em uma cidade sem hotel, sem conhecer, e a noite, e’ o caminho mais facil pra ficar em um lugar ruim, ou caro. No nosso caso foi os dois. Mas no sabado pela manha nos ja trocamos de hotel, e saimos para conhecer um pouco da cidade. Tem um forte construido pelos portugueses no seculo XVI, e depois foi so’ colonizacao arabe. E’ tudo muculmano, muitos arabes tambem.

Fomos conhecer uma praia ao sul de Mombasa. Tivemos que pegar um ferry, ja’ que Mombasa fica em uma ilha. Bem, o ferry parece aqueles que atravessavam do Rio para Niterio antes da ponte. Entram carros, caminhoes, depois bicicletas, e por ultimo a galera (que nao paga). Nao preciso nem dizer que e’ uma tremenda super lotacao. Eu ainda comentei com o Leo que se acontecesse uma acidente, ate’ pra quem sabe nadar bem fica dificil de sobreviver, pois e’ gente demais. Na volta tinha um grande navio manobrando, e tivemos que esperar para atracar do outro lado. Acumulou tanta gente, que quando o ferry que estava na nossa frente atracou, a galera invadiu, antes mesmo dos veiculos e as pessoas sairem. Foi uma confusao so’. No final saiu todo mundo, e o ferry foi tomado somente por passageiros, tinha umas 5 mil pessoas. Ainda bem que tirei uma foto pra mostrar, pois fica dificil ate’ de imaginar. Depois e’ que ficamos sabendo que no mesmo dia um ferry que ia de Zanzibar para Pemba, na Tanzania, virou, e mais de 200 morreram afogados.

Mombasa e’ muito pobre, uma confusao so’. Mas ao norte e ao sul tem muitos hoteis de luxo, muitos estrangeiros vem pra ca’ gozar das delicias das praias, e da influencia do oriente. O centro e’ bem caotico e pobre. Pegamos um onibus por 7 horas, ate’ chegarmos em Lamu.

Lamu e’ uma ilha, no litoral norte do Quenia. Aqui nao tem carro, o modo de transporte mais comum e’ o jumento (isso mesmo…). As ruelas sao estreitas, e’ todo mundo muculmano, bem tipico mesmo, parece que estamos viajando pro seculo XVIII. O que nos liga a realidade e’ o celular, assim como na Etiopia. A vida segue bem devagar, quanto mais agora, que estamos na baixa estacao.

Ficamos super bem instalados, um hotel so’ pra gente, pois nao havia mais hospedes. Hoje pela primeira vez fomos a praia, apenas curtir. Ficaremos mais 2 dias por aqui, e depois vamos para outra praia, chamada Malindi.

 
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Publicado por em setembro 12, 2011 em Africa, Quenia

 

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Ruanda – Um exemplo?

Eu tinha prometido que faria uma viagem de onibus nesta viagem que nao merecesse nenhum comentario, e de novo nao foi desta vez. Dia 6 a tarde, fomos ver o transporte para Kigali, a capital de Ruanda, e nos surpreendemos com um microonibus quase novo, e ficamos com agua na boca. Acordamos dia 7 cedo, e com o tempo nublado, e como tinha dito, resolvemos antecipar nossa ida para Kigali em 2 dias. Quando chegamos para pegar o microonibus, ele ja’ estava saindo, e me restou sentar no ultimo banco (na direcao do corredor), com uma mae e um bebe de colo de um lado, e um casal do outro. So’ que na minha frente sentou um cara num banquinho extra, que amassava minha perna. Outra coisa : nao tinha mais espaco no bagageiro, e minha mochila foi debaixo do banquinho, e minha mochila de mao no meu colo. Ah, a bota, Depois de uma atuacao brilhante no trekking com os gorilas, ganhou uma sobrevida, e veio tambem. So’ que na mao, pois ela ainda esta’ sob suspeita, e nao sobrou saco plastico para carrega’-la. O Leo foi em outro daqueles banquinhos extras, com o mochilao nas costas, e a outra mochila (que atualmente pesa mais do que a minha maior) no colo.

Tudo ia bem (?!) ate’ a primeira parada. Saiu o casal, eu pulei para o canto, e entraram 2 caras. Um sentou do meu lado, e o outro no banquinho da frente. So’ um detalhe : a estrada parece a Serra das Araras, uma sucessao de curvas sem parar, o motorista faltou ao teste psicotecnico, e dirigia como um louco. Depois de 10 minutos, meu vizinho sacou um pano todo sujo e fedorento, colocou-o no seu colo, e vomitou ate’ as tripas em cima dele, so’ que metade caiu no chao. Eca!!!! Seu companheiro da frente fez o mesmo. Eu tive que botar toda a minha bagagem pra cima, no meu colo, pois com aquelas curvas, o rio andava de um lado pro outro. So’ pra encurtar a historia, mais 2 pessoas repetiram a cena. Por que nao deixam usar as sacolas plasticas pelo menos nos onibus?

Se Ruanda e’ conhecida por ser o pais das mil colinas, em Kigali ha’ pelo menos metade delas. E’ uma cidade estilo Belo Horizonte, so’ tem ladeira. Nao tem uma rua plana. E’ um tal de sobe e desce, o centro e’ bem concentrado em cima de um morro. Tem ate’ shopping. So’ que e’ bem carinha, tudo, desde o hotel, comida, transporte, etc. Conseguimos trocar os bilhetes para o Quenia apenas para o sabado dia 10, portanto vamos ficar um dia a mais do que queriamos por aqui.

A tarde fomos visitar o Hotel des Milles Colinnes. Foi la’ que aconteram os fatos do filme Hotel Ruanda, que trata do genocidio. O filme foi feito na Africa do Sul, mas os fatos aconteceram la’ mesmo. Hoje e’ o hotel mais chique da cidade, e nao tem nada que lembre aqueles fatos.

Ruanda, assim como a maioria dos paises africanos era composta por varias tribos, que conviviam normalmente (um conflitinho aqui, outro acola’), ate’ que chegaram os alemaes para colonizarem. Na Primeira Grande Guerra eles foram expulsos pelos belgas, que se tornaram os reis do pedaco. Eles determinaram que quem tinha pelo menos 10 cabecas de gado era tutsi, e o resto virou hutu. Claro que os hutus eram maioria, mas os tutsis, que ja’ eram mais ricos, ficaram com varias regalias. Claro que era receita para o fracasso. Com o passar do tempo, o ressentimento foi aumentando, e um novo ditador comecou a privilegiar os hutus, com o apoio dos belgas e franceses. Foram criadas milicias, treinadas pelos franceses, e a ONU nao fez nada para impedir. Comecaram alguns massacres de tutsis, e a imprensa comprada incentivou a rixa. Todos eram incentivados a delatar onde havia tutsis, sejam esposas, filhos, vizinhos, amigos, etc. O assassinato do presidente em um atentado ao seu aviao foi o estopim do genocidio. Foram 100 dias de massacres, estupros, e tudo o de mais horrivel que o ser humando pode fazer com outro. Hoje visitamos o memorial do genocidio, que esta’ muito bem documentado, inclusive com imagens, fotos e depoimentos de sobreviventes. E’ de revoltar qualquer um.

O mais incrivel e’ que isso ocorreu em 1994, pouco tempo atras, e hoje o povo vive como se nada tivesse acontecido. Nao se ve nenhum traco de violencia, rancor, nada que transpareca um sentimento de vinganca. Claro que os tutsis, que foram massacrados, e ja’ eram minoria, sao mais minoria ainda, pois 1 milhao de pessoas foram mortas. Talvez por um agudo sentimento de culpa, a comunidade internacional comecou a despejar dinheiro no pais, e hoje Ruanda e’ uma ilha de paz e prosperidade no leste da Africa, ou na Africa mesmo. Varias construcoes novas, estradas otimas, e ainda sendo reformadas, enfim, um corpo estranho por aqui. Ja’ ouvi que eles usam Ruanda como laboratorio para qualquer acao de ajuda, pois como e’ um pais pequeno e em melhores condicoes, fica mais facil de testar uma nova tatica de auxilio.

 
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Publicado por em setembro 8, 2011 em Africa, Ruanda

 

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Gisenyi

Ontem depois que publiquei o post comecou a chover e nao parou mais. Acordamos as 4 e 30, fomos pegar o onibus para Gisenyi as 5 e 30. O onibus saiu as 6. Pensei que seria mais uma viagem daquelas comuns da Africa, que nao mereceria nenhum comentario, mas de novo houve fatos inusitados.

Kisoro fica a 8km da fronteira, portanto chegamos la as 6 e 15. O pessoal da imigracao de Uganda simplesmente nao apareceu pra trabalhar. Ficaram todos os passageiros 1 hora esperando, até que eles chegaram. Passamos entao para o lado de Ruanda, e eles gastaram 1 hora e meia revistando TODAS as bagagens, a procura de sacolas plasticas. Eh proibido entrar em Ruanda com elas. A ideia é até boa, mas a fiscalizacao é bem falha, e muita gente entra com algumas delas. Pra encerrar, tocou 2 musicas brasileiras evangelicas no onibus (?!?!).

Bem, da estrada deu pra ver que Ruanda é bem diferente de Uganda e Etiopia. Eh uma pobreza bem menor, e muito mais organizada. Os campos e montanhas sao todos cultivados. As casas sao bem melhores. Chegamos a Gisenyi, uma cidade pequena a beira do Lago Kivu. Descemos até a beira do lago, do lado esquerdo comeca com o hotel Lake Kivu Serena, um tremendo 5 estrelas. Dai vem uma avenida costeando o lago, lindissima, sem um papel na rua, cheia de mansoes espetaculares, hoteis boutiques, bares e restaurantes. Realmente nao parece Africa.

Dois km depois ela acaba na fronteira com a Republica Democratica do Congo. Um tremendo choque, pois é um pais super pobre, muito mais que Uganda. Conversamos com turistas que vinham de la, e disseram que é uma pobreza so, as pessoas pedindo tudo na rua, e nao tem nada pra ver, so o lago. Teriamos que pagar um visto pra entrar, e outro de Ruanda pra voltar, se quisessemos conhecer. Fica pra proxima. Outra coisa : tem permissoes pra ver os gorilas em Ruanda pra qualquer dia, aqui é bem menos procurado do que Uganda.

Ruanda parece o Uruguai da Africa. Tudo aqui é mais organizado. Eh um pais pequeno, apenas 10 milhoes de habitantes. Mas o povo é bem sério, ninguém cumprimenta ninguém na rua, como em Uganda. E temos que nos virar com meu frances do primario (e primario)… Por enquanto nao morremos de fome, nem pegamos o onibus errado.

Nos nossos planos, hoje passariamos o dia viajando, até chegarmos aqui, e ainda teriamos mais 2 dias por aqui. Achamos que nao vale a pena, pois a cidade esta sem turistas (é baixa estacao), o tempo nao esta bom, e tavez seja melhor irmos para Kigali amanha. Vamos decidir ao acordar.

Umas palavras sobre a malaria. Quase todos os mochileiros tomam pilulas contra a malaria. Elas nao sao garantia de imunidade, porem por estarem tomando-as, eles acabam nao se cuidando muito para nao serem picados. Nos estamos tomando cuidado, dormindo com mosquiteiros, e passando repelente. No mais, so nos resta rezar. So apos 1 ano depois de voltarmos é que teremos certeza que nao pegamos. Ha 20 anos eu tomei estas pilulas, me faziam muito mal. Elas tem varios efeitos colaterais.

 
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Publicado por em setembro 6, 2011 em Africa, Ruanda

 

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