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Não Conta lá em Casa

28 maio

Depois de ter um dia super intenso em Porto Príncipe, deixamos a cidade partindo para Cap Haitien, que fica no litoral norte do Haiti. Tudo indicava um dia tranquilo, se não fosse o idiota da guest house, que garantiu saber onde se pegava o ônibus até lá. Ele nos pediu somente que pagássemos a gasolina, e nos levaria até o local. Pediu 3 galões, o que significa 11 litros. Só que depois de 5 km, ele parou num posto de gasolina, falou com um haitiano em creole (o idioma local), e nos disse que poderíamos entrar em uma van, que nos levaria a uma cidade à 4 km de Cap Haitien. De lá seria fácil chegar ao destino final.

Como não sabíamos exatamente o que fazer, decidimos topar. Tínhamos lido que a viagem demoraria umas 7 horas, e seria meio tenebrosa, então achamos que estava tudo certo. Não estava. Logo vi uma placa apontando Cap Haitien na CN1 (Carretera Nacional 1), e alguns kms depois, vi que estávamos na CN3, isto é, outra estrada. Bem, como a van parecia uma lata de sardinha, e eu estava sentado com uma banda num banquinho lateral e outra no ar, e encostado na mala (literalmente) do meu vizinho de trás, achei melhor tratar somente da minha sobrevivência e deixei pra lá.

Em uma rápida parada, conhecemos o Pascal, um simpático negão haitiano que estava sentado lá no banco da frente. Ele nos disse que a van ia para em uma cidade à 50 kms de Cap Haitien, e dela teríamos que pegar outro transporte, mas que ele iria conosco. O incrível que aconteceu é que a estrada passa por dentro de um cemitério. Isso mesmo, por dentro. Essa é inédita pra mim.

Ah bom! Assim fiquei tranquilo. Estávamos já numa estrada de terra (devia ser a CN249), no meio do mato, quando a van parou e o motorista disse que ali era o ponto final. Todo mundo desceu, e o nosso amigo Pascal disse que teríamos que ir de moto uns 10 kms até a vila mais próxima, para pegar um ônibus. E assim fomos, eu na garupa de um cara que nem falava nenhuma língua que eu soubesse, e o Guilherme na garupa do Pascal, que estava na garupa de outro mototaxista. Ainda bem que fiz seguro de viagem!!!

Dez kms depois o Pascal para uma caminhonete, e nós saímos das motos e fomos para a caçamba da camionete. Tudo ótimo, se não fosse meio dia, o sol estar de rachar o coco, e a tal da camionete andava 1 km, parava, o motor morria, os caras abriam o capot, ligavam, andavam mais 1 km, e morria de novo e assim foi, mais de 10 vezes. Cruzamos alguns rios, onde o slocais lavavam roupas, motocicletas, tomavam banho, e a vida seguia. Depois de enguiçar umas 5 vezes, o próprio Pascal perdeu a paciência, e resolveu pegar um mototaxi, e nos deixou lá. Uma roubada.

Sim, e a roubada aumentou. Começou a entrar gente e carga até não poder mais. Eu fiquei tão espremido, que nem 1 ano de pilates, combinado com acumpultura resolveria o problema. Não sei se foi sorte ou azar, mas a van parou de vez, e dali não saímos mais. Passou quase 1 hora, até que passou outra camionete, e saiu um carinha da nossa cabine e foi para a outra camionete. Quando resolvemos fazer o mesmo, nosso motorista disse que tínhamos que pagar a corrida. Achei um absurdo, já que não tínhamos andado nem 10 kms, e a van estava enguiçada. Que absurdo explorar os turistas!

Conversei com o Guilherme, aí ele me disse que viu o carinha pagar a viagem da primeira camionete, e resolvemos que na próxima camionete, nós pagaríamos e nos livraríamos daquela roubada. E assim foi. Só não esperava que os pobres haitianos, bem humildes, que estavam na nossa camionete e resolveram fazer o mesmo sem pagar quase apanharam do motorista e do seu ajudante. Na verdade, eles não estavam explorando os turistas (nós), e sim qualquer um.

Depois disso, andamos mais 50 kms, de novo espremidos que nem sardinha e chegamos a Cap Haitien. O desgraçado da guest house, que quis se livrar de nós, nos deixando numa van errada, mal sabe que nos fez um favor. Isso porque nos divertimos a valer, apesar de toda a roubada. Conversamos com muitas pessoas, conhecemos o Haiti rural, enfim, tivemos uma experiência única (mesmo!).

Chegando lá, em pleno domingo à tarde, outra surpresa : hotéis super caros e horríveis. Tínhamos ouvido falar de uma praia chamada Labadie, que fica a uns 15 kms de Cap Haitien, e sugeri que fôssemos direto pra lá. Pegamos um mototaxi, repito um só mototaxi, com nós 2 na garupa (mais as mochilas), e lá fomos até uma praia, de onde pegamos um barco até Labadie. Só não é indescritível, porque traz muitas semelhanças com Ilha Grande, ou Parati. Um verdadeiro paraíso. Havia um hotel um pouco afastado, mas obviamente era caro, e meio sem vida. Então nosso amigo barqueiro nos levou até a vila, onde poderíamos arrumar hospedagem barata.

Claro que não havia nenhum outro turista no local. Ficamos em 2 quartinhos na casa de uma dona de restaurante. Banho de caneca. Rapidamente conhecemos metade da vila, tomamos cerveja, fomos nadar ao entardecer. Caraca, depois de um dia de cão, terminamos com chave de ouro. Desde Porto Príncipe pegamos 7 transportes até chegarmos a Labadie. Não dava mesmo pra contar lá em casa onde eu estava. Só na volta que eles vão saber hehe.

Camionete definitivamente quebrada

Camionete definitivamente quebrada

Atravessando o terceiro rio

Atravessando o terceiro rio

Na caçamba da camionete

Na caçamba da camionete

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3 Comentários

Publicado por em maio 28, 2013 em Uncategorized

 

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3 Respostas para “Não Conta lá em Casa

  1. fabricio

    maio 28, 2013 at 9:49 pm

    e o que seria de uma viagem sem roubadas? quer moleza vem para a Dinamarca!!!

     
    • Africa Trip 2001

      maio 30, 2013 at 9:53 pm

      Quando voltar vou postar as fotos. Ta certo que eu sou chegado em roubadas, mas nao precisava exagerar. Abraços.

       
  2. Léo Terra

    maio 29, 2013 at 2:00 am

    Que beleza….só os loucos da mesma tribo, sabem que realmente é possivel passar todo este sufoco, e encontrar motivos para gostar.

     

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