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Haiti – Resumo

O que dizer do Haiti? Não vamos nos prender ao esteriótipo de que é um país falido, sem infraestrutura, sem governo, sem PIB, sem turista, etc. Isso é o que ouvimos, vimos pela TV. Do mesmo jeito que um belga que conhecemos em Cabarete (Rep Dominicana) nos disse que não vai ao Rio por conta dos arrastões na praia (aconteceram há mais de 15 anos), muita gente pensa que só de pisar em Porto Príncipe, vai ser agarrado e assaltado por uma turma de desesperados. Não é nada disso.

Mas infelizmente a realidade não fica longe disso. O país é pobre, as ruas estão em estado de calamidade, em termos de sujeira. Não há quase coleta de lixo, e isso realmente incomoda, e diria que seria o fator principal para afastar os turistas. Eles deveriam cuidar mais deste ponto, mas ao mesmo tempo sei que não é a prioridade em um lugar onde falta literalmente tudo. Ou quase tudo.

O que não falta é disposição do povo para seguir em frente. A vida não acabou no terremoto de 2010. As pessoas estão lá, e têm que continuar. E a vida parece ser uma constante luta pela sobrevivência diária. Não há espaço para lamentos, depressões, e preocupações com limpeza, organização e respeito à algumas leis. Exemplo : apesar de tudo, a criminalidade é baixa, quem é pego roubando é preso, se não for linchado antes. O trânsito é caótico mesmo, já descrevi um pouco sobre isso. Tem alucinados como nosso motorista de taxi na chegada á PAP, mas a maioria espera pacientemente nos engarrafamentos.

Chama a atenção Petion Ville, que fica nos arredores de PAP, e é o bairro/cidade dos bacanas. Dizem que há 11 famílias que controlam a economia. Não sei se é verdade, mas sei que vimos alguns Porsches, BMWs e Mercedes em Petion Ville, quase todos dirigidos por haitianos. É quase que uma ilha da fantasia o lugar, inacreditável a diferença de vida entre Petion ville e Porto Príncipe, à apenas alguns kms de distância.

Lotação esgotada!

Lotação esgotada!


Ai meu dente

Ai meu dente


Transporte alternativo

Transporte alternativo

Outra coisa que chama a atenção é que os gringos das ONGs, e outras agências de ajuda causam verdadeira ojeriza nos haitianos. São pessoas, a maioria jovem, que vêm pro país ganhar salários altos, ter uma vida cheia de mordomias (às vezes o conceito de mordomia pode ser relativo, só de ter roupa limpa, comida e uma boa cama já é considerado uma grande mordomia), e que não se misturam com o povo que necessita tudo.Estão lá quase que por obrigação. Isso não passa desapercebido. Aliás, um detalhe: a organização Viva Rio foi muito bem comentada, passando longe disso que acabei de descrever.

Os brasileiros são em geral muito bem conceituados, tanto pelo futebol, claro, como pela participação efetiva no processo de pacificação. Ponto pra nós, apesar da polêmica se deveríamos estar gastando tantos recursos em outras terras, já que tantos brasileiros precisam desses recursos tanto quanto eles. Mas conforta saber que não é recurso jogado fora.

Fora de Porto Príncipe, a vida pode ser mais difícil ou fácil. Difícil por ficar quase que totalmente fora do radar dessas organizações, que focam muito mais na capital e em Cap Haitien. Quando estávamos parados na estrada de terra, com a camionete quebrada, passou uma SUV com 2 americanos de camisa social e gravata (era domingo), e 3 adolescentes no banco de trás, também de camisa social e gravata. isso mostra que os missionários estão sim, mais próximos do povão, e fora dos grandes centros. Fácil por ficar longe daquela confusão, por não ter sido atingido pelo terremoto, pelo povo ter uma vida muito mais simples, sem miséria, apenas vivem com muito pouco recursos. Porém, parecem mais felizes, e por não ter acesso às informações, não sentem faltam do que não sabem existir. E conta bastante o fato de que em alguns lugares que passamos não haver turistas nenhum. Em Cap Haitien é um pouco diferente, há poucos turistas, mas muitos estrangeiros de agências. Então existe mais contato. Lembro que o rapaz da guesthouse de Porto Príncipe disse que nós éramos os segundos turistas do ano, que ali se hospedava mais o pessoal de missões.

Pescador em Labadie

Pescador em Labadie


Tecnologia

Tecnologia


Cap Haitien

Cap Haitien

Claro que não cabe à mim dissertar sobre qual seria a solução para o Haiti, nem tenho esta pretensão. Apenas lamento o que ouvi sobre as interferências externas (principalmente dos Estados Unidos, é claro) sobre a política, e decisões fundamentais para o país (até como o resultado das últimas eleições).

Valeu à pena ter ido? Para um turista regular, é claro que não. Não se come bem, não se move bem, a sujeira está em todo lado e a infraestrutura é precária. Mas para mim valeu muito à pena. Vi um país guerreiro, com um povo genuinamente simpático e hospitaleiro, não senti em nenhum momento medo. Confesso que pelo o que tinha lido antes de ir, estava apreensivo sobre Porto Príncipe, e por isso até não contei lá em casa que iria ao Haiti. Mas estava enganado. A experiência em Labadie mostrou o lado autêntico de um povoado que não recebe ajuda, (quase nenhuma) visita, que vê 4 ou 5 vezes por semana um transatlântico ancorar bem em frente, e milhares de turistas milionários (comparados com eles) se divertirem o dia todo, e nem se darem ao trabalho de ir lá conhecê-los. Como esse povo trata 2 turistas brancos, milionários (comparado com eles, éramos sim milinários), e que ficaram 2 dias por lá? Com cordialidade, gentileza, hospitalidade. Uma agradável surpresa!

 
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Publicado por em junho 8, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Cap Haitien

Na volta para Cap Haitien, rapidamente compramos a passagem para o dia seguinte, para voltar a Republica Dominicana (Cap Haitien – Santiago). Depois arrumamos um hotel, bem ruinzinho e bem carinho.

Daí nos mandamos para visitar a Citadelle Henry. Pegamos um matatu (van-caminhonete, e andamos uns 25 kms até Millot. De lá fica a subida a até a Citadelle. São 8,5 kms de subida, em um desnível de 970 metros. Lá embaixo, na entrada, fica o Palácio de Sans Souci, bem em ruínas mas um bom aperitivo. Demoramos 90 minutos, subindo em um ritmo forte, sem paradas. Chegamos lá em cima encharcados de suor, com as pernas bambas de cansaço. Desde o início do caminho, um sem número de haitianos nos oferecem caronas de motos ou cavalos (pagas, é claro). Fora os guias. Éum saco, mas dá pra entender, já que éramos os únicos estrangeiros do pedaço.

Chegando lá em cima, uma surpresa. O lugar é simplesmente fantástico, super conservado, com uma vista espetacular. Descansamos e passeamos por um bom tempo. À 1,5 km do topo, estão construindo um estacionamento e lojas para turistas, o que deve significar que algo pode mudar (hoje não há demanda para este investimento, por falta de turistas).

Na hora de descer, pegamos uma carona em uma caminhonete particular (o cara parou, e nem perguntou nada), e nos levou de volta até Cap Haitien, fantástico!

Uma atração turística excelente, para mim impensável, e que deveria fazer parte do pacote dos navios (quem sabe é o que vai acontecer).

Cap Haitien é uma cidade com estilo colonial, bem mais agradável que Porto Príncipe (não é vantagem). No entanto, quando visitamos o mercado, ficamos bem impressionados. Primeiro porque é um supermercado no sentido literal da palavra, um mercado enorme, parte ao ar livre, parte dentro de um galpão de ferro, mas as condições sanitárias são horrorosas, da medo. Foi uma decepção.

Palácio Sans Souci

Palácio Sans Souci


Citadelle Henry

Citadelle Henry


Cape Haitien - colonial

Cape Haitien – colonial

 
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Publicado por em maio 30, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Labadie

Bem, a noite não foi propriamente agradável. Como eu escrevi, ficamos em 2 quartos em um bar-restaurante, o que significou que a música estava altíssima até às 11 e 30 da noite. Mas não deu pra reclamar quando acordamos, pois o dia estava lindo, o mar maravilhoso, e passamos o dia entre caminhadas pelo litoral, nadadas no mar cristalino, papo com os nativos, todos muito simpáticos.

Tinha um mega navio da Royal Caribean parado em frente, e a galera andando de jet ski, caiaque, tirolesa, e outros esportes burgueso-aquáticos. De todos os passageiros, somente 6 visitaram a vila. A sensação é ruim, quanto mais quando soubemos que a empresa paga ao Governo do Haiti US 10 por passageiro, e nenhum dinheiro vai para os nativos. Uma pena.

Passamos mais uma noite tranquila, e pela manhã voltamos para Cap Haitien, para recomeçar o turismo cultural. Labadie é um diamante em estado bruto, precisa ser um pouco lapidado, mas não da forma como estão fazendo.

Labadie - paraíso!

Labadie – paraíso!


Final de tarde na vila

Final de tarde na vila


Contraste!

Contraste!


Eu e Guilherme no paraíso

Eu e Guilherme no paraíso

 
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Publicado por em maio 30, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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