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Arquivo da categoria: Uganda

Um dia para nao ser esquecido

Existem em torno de 700 gorilas nas montanhas de Uganda, Ruanda e RD Congo. Em Uganda, um dos parques e’ o Bwindi Impenetrable National Park. Para la’ saimos as 6 da manha de Kisoro. Uma hora e meia de carro (36 km) por uma estrada de terra horrivel. Chegamos la’ e nos registramos na entrada do parque. Por esta entrada, entram 3 grupos para visitar 3 familias diferentes. Nosso grupo tinha 3 argentinos, 3 noruegueses e nos 2.

Os gorilas se movimentam rapido, e nao e’ possivel prever quanto tempo sera’ necessario para encontra-los. Ha grupos que voltam para a entrada do parque a noite. Levamos comida e agua para todo o dia, e preparados para chuva, sol, frio, calor, etc. Um suico gente finissima que encontramos em Lake Bunyonyi me disse que encontrou os gorilas depois de 1 hora de caminhada. Ja’ soubemos de um grupo que ontem as 5 da tarde, de baixo da maior chuva, ainda nao tinha os encontrado.

Os funcionarios do parque seguem os gorilas ate’ anoitecer, para que no dia seguinte pela manha eles tenham nocao pra que lado eles devem estar. Entao nos mandaram pegar o carro e ir para outro lado do parque. Quando estavamos chegando nos carros, avisaram por radio que nosso grupo estava neste lado mesmo, e que podiamos ir a pe’. Os outros grupos foram de carro mesmo.

Caminhamos por meio da mata, mas a principio era por uma trilha, que subia e descia, passava no meio de um lamacal, enfim, nada diferente do que esperavamos. Estava de papo com um dos argentinos, quando o guia principal avisou que tinha avistado o grupo. Tinhamos caminhado por 1 hora e 20 minutos. Deixamos as mochilas perto de uma arvore, e partimos por meio da mata.

Imediatamente dei de cara com um dos gorilas, e partir dai’ foi uma festa de fotos. O rpoblema e’ que eles cismam de brincar de pique esconde no meio da mata cerrada, e temos que ir atras. Os guias vao com foices cortando os galhos para que possamos caminhar e tirar fotos melhores. Sabiamos que teriamos somente 1 hora do momento que os encontramos.

Incrivel ver aqueles animais monstruosos, tao calmos, no habitat deles, sem ser em uma jaula. Teve uma hora que atravessamos um riacho, atras de um macho, subimos um pequeno barranco, os 2 guias na frente e eu logo atras, em busca de um boa foto. Eles subiram o barranco e foram para a esquerda, e sem querer eu me virei para a direita, quando me deparei com um super macho, a menos de 2 metros. Quase tive um ataque do coracao. Ele passou por nos rapidamente, e foi atras dos outros. Descobri porque esse parque tem no nome Impenetrable. A mata e’ bem fechada mesmo.

O problema e’ que e’ realmente dificil tirar boas fotos, e’ necessario ter uma boa camera, profissional, o que nao e’ o meu caso. Mas mesmo assim tenho fotos suficientes para guardar de recordacao este dia tao especial. Pela quantidade de gorilas, e pela demanda, eles podiam cobrar ate’ US$ 1.000, que mesmo assim teria gente as pencas aqui para ve-los. E’ realmente um programa especial. Sao somente 9 familias em Uganda, portanto mesmo na altissima estacao, so’ 72 pessoas podem ver os gorilas por dia.

Especialmente para nos, que voltamos para a entrada do parque a 1 da tarde. Um dos outros 2 grupos estava voltando, e outro teve que andar 45 minutos de carro, ate’ comecar a caminhada. Nao choveu nenhum momento, nao fez frio nem calor, enfim, foi realmente um dia de sorte. Logo que chegamos na entrada do parque comecou a chover. Parecia que estava tudo combinado.

Voltamos cedo para Kisoro, e tivemos tempo para ir ao mercado. Como tinha chovido muito durante o dia, estava um verdadeiro charco, nao dava pra andar. mas deu pra tirar algumas fotos, hoje era um dia especial de mercado, cheio de gente, com roupas bem coloridas.

Amanha pela manha vamos de onibus para Ruanda. Chegou ao fim nossa visita a Uganda. Poderiamos fazer amanha a escalada a um dos vulcoes, mas o tempo esta’ horrivel, achamos que nao vale a pena. Alias, uma coisa constante, em todos os dias da viagem ate’ agora : chuva.

E o que dizer de Uganda ? Um pais pobre, com um povo SUPER simpatico, onde a saudacao nao e’ “Hi” ou “Hello”, e sim “How are you today?”. Facil de viajar, barato, e com muita coisa para se ver. Sao 10 parques nacionais, e muitos lagos, muita natureza. Pra quem gosta e’ realmente um prato cheio. Depois de Lake Bunyonyi e dos gorilas, vai ser dificil outro pais bater Uganda na nossa preferencia nessa viagem. Tomara que eu queime minha lingua.

 
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Publicado por em setembro 5, 2011 em Africa, Uganda

 

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Lake Bunyonyi – paraiso escondido

A viagem de Kampala para Kabale foi mais uma daquelas. O onibus para viagens domesticas em Uganda tem 5 poltronas por fileira (1 de 3 e 1 de 2), e tem a mesma largura dos outros. A magica e’ diminuir o tamanho das poltronas e a largura do corredor. Eles diminuem tambem a distancia entre as fileiras, assim a uma certa altura da viagem contamos 70 pessoas sentadas no onibus. Tudo bem que algumas delas estavam sentadas em banquinhos de madeira no corredor. Choveu durante todo o percurso, de pouco mais de 400 km. Bem, nada demais para nos, ne’?

Chegamos em Kabale, uma cidade no sul de Uganda, de onde pegamos um taxi para o Lake Bunyonyi. E’ um lago que fica a 2.400 m de altitude, com 29 ilhas. Pegamos uma canoa, e remamos por 1 hora com um local, ate’ chegarmos na ilha onde ficariamos. Pra quem acha que esta viagem esta’ sendo somente de sofrimento e perrengues, aqui vai uma pessima noticia : o lugar e’ maravilhoso.

Trata-se de uma pousada ecosustentavel, com placas de energia solar, e so’ utiliza a energia dos paineis. Nao tem nem gerador. Tem quartos duplos, onde ficamos na primeira noite. Quase morremos de frio, pois faz muito frio mesmo a noite, e o quarto nao tem um dos lados, para que os hospedes possam ver o lago la’ de cima. No dia seguinte nos mudamos para o dormitorio de 4 camas, fechado, e aocisa melhorou muito. Bem, o restaurante e area social fica no alto de um morro, com uma vista maravilhosa, a galera que se hospeda por l’a e’ so’ de mochileiros, mas aqueles mais qualificados intelectualmente (se nao, estariam em outro lugar). O cardapio tem pratos variados, de todos as origens, e a comida e’ otima e barata. Pra nao dizer que o lugar e’ perfeito, tem 2 coisas pra atrapalhar : a primeira e’ que o banho e’ frio, e a segunda que a bebida e’ quente (por nao ter energia suficiente). Para os europeus nao era problema, mas pra nos foi dose tomar cerveja quente. Tivemos que tomar muito cha.

Nadei no lago (me disseram que nao tinha crocodilos), fizemos passeios pela ilha, conhecemos outro comunidade, socializamos com outros turistas, e pegamos muitas dicas para as nossas proximas etapas. Infelizmente nao tinha qualquer acesso a internet, nao pude acessar meus e-mails e nem atualiar o blog. Mas agora ja’ esta’. Enfim, foram dias de reis, mais que merecidos. Estamos com as baterias recarregadas.

Hoje contratamos um motorista para nos levar a Kisoro, de onde amanha partiremos ruma ao Bwindi Impenetrable National Park, para visitar os gorilas. Quem ja’ fez diz que e’ imperdivel, e quem nao fez admite que deve ser muito bom. Alguns nao fazem por filosofia, nao querem gastar US$ 500 em um passeio, mesmo tendo o dinheiro. Outros porque nao tem o dinheiro mesmo. Ja estamos aqui. Existe outro parque nacional aqui perto, que na verdade tem partes em 3 paises (Uganda, Ruanda e Republica Democratica do Congo). Os gorilas que normalmente vivem do lado ugandense nao estao por aqui, foram fazer turismo em outro pais. Mas este parque tem 6 vulcoes, os do lado de Uganda sao escalaveis. Esse era o plano inicial para fazermos amanha, em vez dos gorilas. Talvez facamos na terca, mas ai teriamos que comer 1 dia de Ruanda. A ver.

 
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Publicado por em setembro 4, 2011 em Africa, Uganda

 

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O longo caminho para Kampala

A viagem para Uganda foi longa. Primeiro um voo de Addis Abeba para Nairobi. Incrivelmente o voo saiu 1 hora adiantado. Nao tinha visto isso ainda. Chegando em Nairobi, tinhamos 2 opcoes : procurar um hotel, pegar um onibus para Kampala no dia seguinte pela manha, e ainda procurar um hotel em Kampala a noite. Ou pegarmos um onibus noturno no mesmo dia, e chegar pela manha. Do aeroporto mesmo checamos que a melhor empresa de onibus estava cheia para o mesmo dia e o dia seguinte. O funcionario da informacao do aeroporto orientou o motorista de taxi para nos levar a 3 empresas no centro de Nairobi, a fim de ver se haveria passagem para o mesmo dia. Na saida do aeroporto veio o choque cultural. Comparado com a Etiopia, o Quenia parece um pais europeu. A avenida para o centro cheia de novos empreendimentos comerciais e residenciais, ampliacoes, e muito trafego. Alias, o aeroporto de Nairobi esta sendo ampliado (viu, Dilma?). No meio do transito, o motorista decidiu cortar caminho por um posto de gasolina, e o Leo viu entre as lojas de conveniencia, farmacia, etc um posto de venda de passagens para Kampala. Incrivel, eles nao so’ vendiam a passagem (e tinha lugar) como o onibus sairia de la’ mesmo. Ficamos de bobeira, comendo, esperando o onibus, que estava vindo da Tanzania. Ele chegou na hora.

Primeiro que por dentro parecia que estava de cabeca pra baixo, atapetado no teto. Fomos ainda pro centro de Nairobi, para pegar a maioria dos passageiros. O onibus saiu as 9, lotado (eramos os unicos branquinhos). Passamos por uma regiao de Nairobi bem chique, parecia um bairro nobre do Rio ou SP. Que diferenca! O unico problema da viagem foi o som do onibus. Botaram musica volume 10, de novo nao dava pra dormir. So’ as 5 da matina tiraram a musica. O onibus era confortavel, os tramites de fronteira foram bem simples e rapidos. Chegamos em Kampala as 9 da manha.

O que vimos de Uganda foi so’ verde, muito verde. Chegamos no centro velho de Kampala, que mais parece a 25 de marco africana, sem fiscalizacao nenhuma. Uma zona completa. Achamos um hotelzinho por la’ mesmo, e ficamos, pois logisticamente seria o ideal. Fomos dar uma volta pela cidade, e ai’ a surpresa. Andamos pelos bairros das embaixadas, hoteis chiques, restaurantes, incrivel como tem lugares agradaveis. Claro que o pais e’ pobre (nada comparado a Etiopia), mas a impressao foi boa. Fomos em uma grande e nova mesquita, o chefe abriu para nos, e nos levou ao alto do minarete. Uma visita incrivel da cidade. Valeu a pena. Como ficamos no centro, nao demos bobeira, e voltamos pro hotel antes de escurecer. Aquela sensacao de seguranca que tinhamos na Etiopia acabou, nao da’ pra andar de pochete pela rua.

Hoje decidimos procurar o Uganda Wildlife Authority, onde vendem a permissao dos gorilas. Sao 8 turistas por dia, por familia (de gorilas, e’ claro). Incrivel que conseguimos ingressos para o dia 5, em um grupo que ja’ tinha 6. Custa US$ 500 so’ a entrada, fora acomodacao e transporte pro parque. Acaba com o orcamento de qualquer mochileiro. Alias, mochileiro que se preza nao faz este passeio, manda o cara do photoshop montar pra ele umas fotos com gorilas. Mas como aqui nao tem photoshop ainda, vamos encarar essa. A viagem de Nairobi pra ca a noite nos deu um dia extra, que usaremos para este passeio. Vir aqui e nao ver os gorilas equivale a … sei la’, mas e’ o ponto alto de Uganda, nao da’ pra perder. Ah, vai ser a despedida da minha bota, que por sinal ainda esta’ de quarentena.

Amanha vamos para o interior de Uganda, e so’ chegaremos em Kigali (capital de Ruanda) no dia 9.

 
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Publicado por em agosto 31, 2011 em Africa, Uganda

 

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