RSS

Arquivo da categoria: Uncategorized

Novo Blog foi criado!!! Continuação deste.

Como pode um blog de viagens pelo mundo se chamar “Africa Trip 2011”? Não poderia nem deveria.

Por isso eu criei um novo blog, com todos os posts deste blog e com a continuação deste blog. Portanto, este é o último post.

Aí vai o link :

www.2pesnaestrada.wordpress.com

Boas viagens!!

Anúncios
 
1 comentário

Publicado por em abril 11, 2014 em Uncategorized

 

Próxima Parada : “Não países”

Este ano de 2014 terei mais uma boa oportunidade de viajar. Desta vez será 1 mês inteirinho. Desde o leste africano em 2011 que não tinha este tempo, fico até tonto em olhar pro mapa mundi e escolher. Apesar de muitas viagens já feitas, ainda falta muito, e 1 mês passa rápido. Opções não faltam :

– sudeste asiático : falta Myanmar e Cambodja

– sul da África : Mozambique, Botsuana, Zâmbia Malaui e Namíbia

– rota da seda : Uzbequistão, Cazaquistão e outros tãos.

Apesar de todos serem atraentes, a escolha da vez foi a região dos Cácasus, terminando com o Irã. E por que?

Bem, na verdade teve um pouco da influência do Guilherme, que me chamou a atenção para este lado esquecido. Comecei a estudar e gostei do que li. Ele até está ameaçando participar, e o objetivo dele é fazer uma viagem temática. Ele quer conhecer os “não países”. São áreas separatistas, não reconhecidas como países pela maioria dos países.

O momento não podia ser pior, Estamos passando pela crise Rússia-Ucrânia-Criméia, e a bola da vez é a Moldávia, com a região da Transnístria querendo ser anexada à Rússia, assim como a Criméia foi recentemente. Ninguém sabe como vai ser o fim desta estória, mas certamente as perspectivas de um final feliz, e ainda mais à curto prazo são quase nulas.

Pois é, e não é que eu tinha acabado de emitir um bilhete saindo do Rio direto para Chisinau, capital da Moldávia? Parecia um louco, querendo buscar problemas. O que me salvou é que recentemente a Moldávia mudou a política de emissão de vistos para turistas, e simplesmente não os emite mais no aeroporto. Teria que passar em alguma embaixada antes, a mais próxima é no México. Alternativamente, poderia chegar em Bucareste, e tirar o visto por lá, mas corro o risco de perder até 2 dias para isso.

Meu roteiro original era chegar pela Moldávia, ir para a Ucrânia, que pode ser que esteja “fechada” para turismo, e de lá voar até o Cáucasus. Meu ponto de chegada será em Baku, capital do Azerbaijão. De lá pretendo pegar um trem até Tbilisi, capital da Geórgia, e aí sim começar minha viagem temática. Os “não países” a serem visitados são : Abkazhia e Ossétia do Sul, na Geórgia, Cechênia, na Rússia, e Nagorno Karabah, no Azerbaijão (o acesso é feito pela Armênia). Destas 4, somente a Ossétia do Sul é incerta, não sabemos ainda se conseguiremos autorização para entrar.

Ao contrário do “Não Conta lá em Casa”, não temos ajuda nenhuma para a viagem, nem financeira, nem de guias, etc. Vamos ver no que vai dar. Depois vamos por terra até o Irã, onde passaremos os últimos 12 dias. Que tal? Como fica o IFB, Índice de Frio na Barriga, que já expliquei anteriormente? Parece que desta vez vai ser mais alto do que de costume.

A viagem somente acontecerá em agosto, até lá muita coisa pode mudar, mas a passagem já está emitida, né?

 

Tags: , , , ,

Bálcãs : um resumo da viagem

A primeira e mais importante coisa a escrever é que eu adorei esta viagem. Eu tinha uma ideia de, por ter ido a antiga Iugoslávia, era como se fosse um só país. Nada mais equivocado. Excetuando a Albânia, que não fazia parte da Iugoslávia, todos têm uma história, cultura, etnia, religião diferente. Claro que há interseções, como sérvios vivendo na Croácia, croatas vivendo na Bósnia e Herzegovina, e assim por diante. A própria Bósnia e Herzegovina é um caldeirão de religiões e etnias, vivendo (aparentemente) em harmonia. Em Kosovo, com mais 90% de albaneses, só se vê bandeiras vermelhas (albanesas).

Outra coisa a ser escrita e que eu tinha a ideia de que deveria começar pela Macedônia e Kosovo, e ir subindo até finalizar na Eslovênia. Outro erro. Duplamente. Primeiro porque a Eslovênia esteve longe de ser o lugar mais interessante, mais inspirador, mais excitante. E segundo porque logisticamente teria sido bem mais difícil. As conexões, talvez por coincidência, são bem mais fáceis de serem feitas de cima pra baixo. Exemplo 1 : Kotor para Tirana. Se fosse Tirana pra Kotor, acho que nem seria possível fazer um 1 dia. Outro : Berat para Ohrid. Fazer ao contrário, em 1 dia, não é possível. Depois de ter visitado todos os países, posso afirmar que terminar pela Eslovênia teria sido quase que um anticlimax. Isso pra mim. Pra akguns, sem nenhum tom de crítica, a Eslovênia teria sido o ponto alto, depois de um pouco de sofrimento, cansaço, acabar em em lugar lindo, bem organizado seria quase que um prêmio. Aliás, exatamente como escrevi, era exatamente assim que eu pensava antes de embarcar. Mas foi falta de informação mesmo. O que sabia sobre a Macedônia antes de embarcar? Nada.

Considerando o curto espaço de tempo, apenas 16 dias, posso dizer que fizemos milagres de ter visitado o melhor de cada país. Claro que faltaram as cavernas da Eslovenia, os monastérios perto de Novi Sad, na Sérvia, a cidade de Medjugorje na Bosnia e Herzegovina, a própria Croácia, que pulamos, as montanhas de Montenegro, e assim por diante. Mas ficou a certeza de que passamos pelos melhores lugares, e realmente tivemos uma experiencia especial.

Não quis entrar muito na area histórica.Como disse, cada pais tem a sua. O fato é que os otomanos invadiram a região no século XV, e ficaram por 4 séculos. Houve áreas que resisitiram, com o Skandenbeg, heroi albanês, áreas onde eles não entraram, como Montenegro, e assim começaram as diferenças religiosas, com a salada de muçulmanos, cristãos ortodoxos e católicos. Quando a Iugoslávia foi criada em 1929, as coisas começaram a clarear, e definitivamente formou-se uma unanimidade em torno do Marechal Tito, com sua política de não alinhamento durante a guerra fria, conseguiu unir o país todo, e aumentar a qualidade de vida da população. Hoje todos falam com saudosismo daquela época, e lamentam ele não ter conseguido fazer um sucessor. Hoje temos vários países totalmente diferentes, com níveis de desenvolvimento distantes, tensões que claramente persistem e vão persistir por muito tempo. Como disse um funcionário do hstel de Skopje : “É, nós somos muito hospitaleros co os turistas, o problema é entre nós. Aí o bicho ainda pega”. A guerra foi muito sangrenta, e muito recente para ter sido esquecida. Claro que a Macedônia, por exemplo, que conseguiu sua independência sem luta (foi a única) não tem o mesmo nível de animosidade com os Sérvios como a Bósnia e Herzegovina e o Kosovo,que foram os que mais sofreram. Mas certos assuntos são arriscados de se começar, pois nunca se sabe o histórico da pessoa, o que ela pensa, de que lado esta ou estava. O melhor a fazer é ir devagar, e tentar mostrar neutralidade.

Posso fazer um resumo por país, e um resumo das outras coisas gerais. Vamos começar pelos paises.

Eslovênia : como escrevi, é puramente Europa Europa. Tudo perfeito, tudo funciona. Ljubljana é um brinco, mas falta um pouco de alma .Bled tem uma paisagem de sonho, sem dúvida. Depois de tanta intensidade, teria sido quase que um anticlimax deixar pro final. Por outro lado, é a que tem maior infra em todos os sentidos. Não à tôa foi a primeira a ingressar na União Europeia.

Sérvia : pra quem não esperava nada, foi uma bela surpresa. Belgrado surpreendeu pela qualidade da noite, e também mostrou algo interessante de dia. Ajudou termos ficado no melhor hostel da viagem.

Bósnia e Herzegovina : acho que foi o país que mais me tocou. Sarajevo, por sua complexidade, sua história, sua mistura de tudo, e também por termos estado lá no sabado à noite, quando todos estavam nas ruas, foi o ponto alto da viagem. Mostar também impressionou, apesar da chuva e do hostel ruim.

Montenegro : Kotor também tem uma paisagem de sonho. Foi o lugar mais bonito de todos. O mais turistico também. O que salvou é que era baixa estação.

Albânia : Infelizmente não pode ser considerada Europa. Ainda tem muito pela frente, mas considerando o que foi recentemente, já evoluiu muito. Em breve os turistas vão descobrí-la, e se não tiver a infra suficiente, vai ser uma confusão. Mas definitivamente é interessante. Berat é charmosa, um passeio ao passado.

Macedônia : Ohrid foi uma tremenda surpresa, quase no nível de Kotor. Um balneario lindo, à beira do Lago Ohrid, parece uma cidade da Riviera Francesa, ainda mais enfeitada por um forte no alto do morro. Uma graça. Já Skopje foi talvez a maior surpresa da viagem. Isso porque eu não tinha NENHUMA informação, ou melhor, tinha a impressão de que era uma cidade sem atrativos. Saiu muito melhor do que a encomenda. Foi de verdade o fecho com chave de ouro, pra me contradizer mais uma vez sobre a ordem dos países. Em um campeonato de pontos corridos, acho que a Macedônia correu por fora e ultrapassou a Bósnia e Herzegovina na reta final, e ficou com a medalha de ouro.

Kosovo : só fui mesmo pra ver como estava o então segundo país mais novo do mundo, em 2013. Valeu o passeio, mas tem que ter disposição pra perder o dia pra ir e voltar de Skopje.

Vamos à outros tópicos :

Hostels : de uma maneira geral foram bons. Uma decepção : o de Mostar. Os 2 melhores foram o de Belgrado e o de Skopje. Mas dormimos bem, comemos bem, não tivemos qualquer problema.

Comida : a da Bósnia e Herzegovina foi a melhor, mas de uma maneira geral comemos bastante comida local, que é bem carregada de carne. Variamos um pouco, tomamos muita sopa, algumas frutas e chá. Cerveja praticamente todos os dias, pelo menos uma, já que ninguém é de ferro.

Transporte : foram 2 viagens de trem, e o resto de ônibus. Como tivemos que nos mover quase todos os dias, foi um pouco cansativo. No final, não aguentávamos mais. Os ônibus são relativamente organizados (exceto no Albânia), e não tivemos qualquer contratempo.

Tempo : não dá pra reclamar. Só um dia de chuva, e que chuva, em Mostar. Mas mesmo assim fez um pouco de sol, e pudemos tirar nossas fotos. Da metade pra frente esfriou um pouco, e chegamos a quase congelar nos últimos dias. O Weather Channel foi consultado diariamente, já que ele dá previsão de chuva por hora. Felizmente, ele errou muito, e o guarda-chuva só foi utilizado 1 vez.

Companhia : sem muitos comentários. O Khouri é dos melhores companheiros de viagem que conheço. Temos os mesmos gostos, interesses e acresentou muito à essa viagem. Não vou me alongar muito pra não gerar ciúmes em casa, e nem do Leo hehe.

Custos : fora a Eslovenia, que já incorporou o custo de vida da zona do euro, a Albânia tem o custo mais baixo, mas mesmo Montenegro que utiliza o euro (irregularmente, diga-se de passagem) não é tão cara assim. Pode-se dizer que em 2013 é um dos lugares mais baratos para se viajar.

 

Ljubljana : a pequena que satisfaz

Depois de mais de 24 horas de viagem, com 3 voos, finalmente cheguei à Ljubljana. O Khouri, que tinha ido de Air France já tinha chegado, e foi me buscar na estação de ônibus. Aliás, do aeroporto até o Centro não vi uma alma viva na rua. Fomos para o hostel, que fica em uma antiga prisão. Mas tudo limpinho e arrumado. Nosso quarto ficava em uma cela, literalmente, com grade e tudo. Comemos uma pizza e tomamos umas cervejas locais (Lasko) lá mesmo. Nosso hostel fica em uma área totalmente alternativa, Metelkova, parece fazer parte de uma comunidade fora dos padrões, muito grafite, muitas boites underground, cafés, estátuas estranhas, etc.

No dia seguinte deu pra ter uma ideia melhor. A cidade é toda compacta, o centro histórico é pequeno, porém lindo, tive a impressão de estar tudo no lugar certo. Impressiona a quantidade de cafés, tomar café deve ser o esporte nacional.

Tem um castelo no alto de uma colina, com uma vista fantástica. A cidade tem 270.000 habitantes, é menor que Taubaté! A capital do país! Tudo aqui é compacto, as ruas, os bares, as estradas…Detalhe : o idioma aqui é ininteligível!

À noite o movimento acaba cedo, antes das 10, exceto em alguns bares e no nosso hostel. Lá eu não sei que horas acaba, pois fomos dormir antes do fim.

Triple Bridge

Triple Bridge

Comunidade de Metelkova

Comunidade de Metelkova

Dragon bridge. O dragão é o símbolo da Eslovênia

Dragon bridge. O dragão é o símbolo da Eslovênia

 

 

Nossa cela no hostel prisão

Nossa cela no hostel prisão

A primeira impressão foi a melhor possível, um mundo esquecido dos brasileiros, que não sabem o que estao perdendo.

 
 

Tags: , , ,

República Dominicana

Não tinha falado quase nada sobre a República Dominicana. Afinal, chegamos em Santo Domingo no final da tarde, e logo de manhã cedo no dia seguinte partimos para o Haiti. Agora estávamos voltando. Pegamos um ônibus em Cap Haitien para Santiago, a segunda cidade da República Dominicana. De lá, tínhamos que pegar outro ônibus até Sossua, e de lá uma van até Cabarete, nosso destino final. A viagem toda demorou umas 5 horas, mas tranquila.

Cabarete é uma mistura de Caiobá, no Paraná, com Cabo Frio (foi brincadeira com o Guilherme, mas não está longe da realidade). É um super destino turístico de americanos que querem fazer esportes radicais, como kitesurf, windsurf, surf, e outros, mas também pra quem simplesmente quer relaxar em frente à praia. Há inúmeros condomínios estilo americanos mesmo, e a língua local é meio à meio, de tanto americano. Há voos diretos de NY, Chicago, etc para lá.

Obviamente o ambiente não tinha muito a ver com o nosso estilo. Mas o que salvou foi a guest house que ficamos, muito maneira. Pra começar, ficamos em um bangalô, tinha uma piscina, um restaurante estiloso (que inclusive era muito frequentado por gente de fora da guest house) em frente à um laguinho, e algumas pessoas bem legais. Conhecemos um belga Patrick, que tinha morado no Haiti, Guiné, Senegal e outros lugares menos votados, e ele tinha muitas histórias interessantes pra contar, pena que um pouco rancoroso e demais politizado. Mas o spapos valeram e muito, até porque a gente começa a entender como funcionam as organizações de ajuda humanitária, que de ajuda humanitária têm muito pouco. Apenas um pequena parcela do dinheiro chega até a população, o resto fica preso na burocracia, nos custos de manter esta gente com mordomias, e é claro, com a corrupção.

Foram 2 dias pra relaxar (o Guilherme até surfou), até a volta para Santo Domingo, onde matamos nossas últimas horas no centro histórico. Santo Domingo foi meio decepcionante, tem até prédios bonitos, bem cuidados, mas não há relamente nada de surpreendente. Talvez porque eu e o Guilherme já temos estados em várias outras cidades com estilo colonial, então foi meio repetitivo. Fora do centro histórico (chamado Zona Colonial), é apenas uma cidade comum, com estilo bem misturado entre o latino e o americano. Claro que a influência dos USA é enorme, até pela distância, mas tem fast food pra tudo quanto é canto, e muito beisebol e basquete também.

Cabarete - paraíso do surf

Cabarete – paraíso do surf

 

Rua principal de Cabarete

Rua principal de Cabarete

Nosso bangalo!!

Nosso bangalo!!

Sem dúvida, pra quem inicialmente tinha ideia apenas de passar uns 10 dias descansando nas praias da República Dominicana, a viagem foi bem intensa, a experiência no Haiti foi especial. Não me arrependo de não ter contado lá em casa, e nem pros amigos. Quando voltei, ouvi várias estórias de como é violento, não se pode sair na rua sem risco de ser assaltado, seuqestrado, etc. Só que já tinha voltado, e não vi nada parecido por onde passei. Será que foi sorte?

Santo Domingo

Santo Domingo

Castelo de Santo Domingo

Castelo de Santo Domingo

 
Deixe um comentário

Publicado por em junho 22, 2013 em Uncategorized

 

Tags: , , , ,

Haiti – Resumo

O que dizer do Haiti? Não vamos nos prender ao esteriótipo de que é um país falido, sem infraestrutura, sem governo, sem PIB, sem turista, etc. Isso é o que ouvimos, vimos pela TV. Do mesmo jeito que um belga que conhecemos em Cabarete (Rep Dominicana) nos disse que não vai ao Rio por conta dos arrastões na praia (aconteceram há mais de 15 anos), muita gente pensa que só de pisar em Porto Príncipe, vai ser agarrado e assaltado por uma turma de desesperados. Não é nada disso.

Mas infelizmente a realidade não fica longe disso. O país é pobre, as ruas estão em estado de calamidade, em termos de sujeira. Não há quase coleta de lixo, e isso realmente incomoda, e diria que seria o fator principal para afastar os turistas. Eles deveriam cuidar mais deste ponto, mas ao mesmo tempo sei que não é a prioridade em um lugar onde falta literalmente tudo. Ou quase tudo.

O que não falta é disposição do povo para seguir em frente. A vida não acabou no terremoto de 2010. As pessoas estão lá, e têm que continuar. E a vida parece ser uma constante luta pela sobrevivência diária. Não há espaço para lamentos, depressões, e preocupações com limpeza, organização e respeito à algumas leis. Exemplo : apesar de tudo, a criminalidade é baixa, quem é pego roubando é preso, se não for linchado antes. O trânsito é caótico mesmo, já descrevi um pouco sobre isso. Tem alucinados como nosso motorista de taxi na chegada á PAP, mas a maioria espera pacientemente nos engarrafamentos.

Chama a atenção Petion Ville, que fica nos arredores de PAP, e é o bairro/cidade dos bacanas. Dizem que há 11 famílias que controlam a economia. Não sei se é verdade, mas sei que vimos alguns Porsches, BMWs e Mercedes em Petion Ville, quase todos dirigidos por haitianos. É quase que uma ilha da fantasia o lugar, inacreditável a diferença de vida entre Petion ville e Porto Príncipe, à apenas alguns kms de distância.

Lotação esgotada!

Lotação esgotada!


Ai meu dente

Ai meu dente


Transporte alternativo

Transporte alternativo

Outra coisa que chama a atenção é que os gringos das ONGs, e outras agências de ajuda causam verdadeira ojeriza nos haitianos. São pessoas, a maioria jovem, que vêm pro país ganhar salários altos, ter uma vida cheia de mordomias (às vezes o conceito de mordomia pode ser relativo, só de ter roupa limpa, comida e uma boa cama já é considerado uma grande mordomia), e que não se misturam com o povo que necessita tudo.Estão lá quase que por obrigação. Isso não passa desapercebido. Aliás, um detalhe: a organização Viva Rio foi muito bem comentada, passando longe disso que acabei de descrever.

Os brasileiros são em geral muito bem conceituados, tanto pelo futebol, claro, como pela participação efetiva no processo de pacificação. Ponto pra nós, apesar da polêmica se deveríamos estar gastando tantos recursos em outras terras, já que tantos brasileiros precisam desses recursos tanto quanto eles. Mas conforta saber que não é recurso jogado fora.

Fora de Porto Príncipe, a vida pode ser mais difícil ou fácil. Difícil por ficar quase que totalmente fora do radar dessas organizações, que focam muito mais na capital e em Cap Haitien. Quando estávamos parados na estrada de terra, com a camionete quebrada, passou uma SUV com 2 americanos de camisa social e gravata (era domingo), e 3 adolescentes no banco de trás, também de camisa social e gravata. isso mostra que os missionários estão sim, mais próximos do povão, e fora dos grandes centros. Fácil por ficar longe daquela confusão, por não ter sido atingido pelo terremoto, pelo povo ter uma vida muito mais simples, sem miséria, apenas vivem com muito pouco recursos. Porém, parecem mais felizes, e por não ter acesso às informações, não sentem faltam do que não sabem existir. E conta bastante o fato de que em alguns lugares que passamos não haver turistas nenhum. Em Cap Haitien é um pouco diferente, há poucos turistas, mas muitos estrangeiros de agências. Então existe mais contato. Lembro que o rapaz da guesthouse de Porto Príncipe disse que nós éramos os segundos turistas do ano, que ali se hospedava mais o pessoal de missões.

Pescador em Labadie

Pescador em Labadie


Tecnologia

Tecnologia


Cap Haitien

Cap Haitien

Claro que não cabe à mim dissertar sobre qual seria a solução para o Haiti, nem tenho esta pretensão. Apenas lamento o que ouvi sobre as interferências externas (principalmente dos Estados Unidos, é claro) sobre a política, e decisões fundamentais para o país (até como o resultado das últimas eleições).

Valeu à pena ter ido? Para um turista regular, é claro que não. Não se come bem, não se move bem, a sujeira está em todo lado e a infraestrutura é precária. Mas para mim valeu muito à pena. Vi um país guerreiro, com um povo genuinamente simpático e hospitaleiro, não senti em nenhum momento medo. Confesso que pelo o que tinha lido antes de ir, estava apreensivo sobre Porto Príncipe, e por isso até não contei lá em casa que iria ao Haiti. Mas estava enganado. A experiência em Labadie mostrou o lado autêntico de um povoado que não recebe ajuda, (quase nenhuma) visita, que vê 4 ou 5 vezes por semana um transatlântico ancorar bem em frente, e milhares de turistas milionários (comparados com eles) se divertirem o dia todo, e nem se darem ao trabalho de ir lá conhecê-los. Como esse povo trata 2 turistas brancos, milionários (comparado com eles, éramos sim milinários), e que ficaram 2 dias por lá? Com cordialidade, gentileza, hospitalidade. Uma agradável surpresa!

 
Deixe um comentário

Publicado por em junho 8, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

Tags: , , , , ,

Cap Haitien

Na volta para Cap Haitien, rapidamente compramos a passagem para o dia seguinte, para voltar a Republica Dominicana (Cap Haitien – Santiago). Depois arrumamos um hotel, bem ruinzinho e bem carinho.

Daí nos mandamos para visitar a Citadelle Henry. Pegamos um matatu (van-caminhonete, e andamos uns 25 kms até Millot. De lá fica a subida a até a Citadelle. São 8,5 kms de subida, em um desnível de 970 metros. Lá embaixo, na entrada, fica o Palácio de Sans Souci, bem em ruínas mas um bom aperitivo. Demoramos 90 minutos, subindo em um ritmo forte, sem paradas. Chegamos lá em cima encharcados de suor, com as pernas bambas de cansaço. Desde o início do caminho, um sem número de haitianos nos oferecem caronas de motos ou cavalos (pagas, é claro). Fora os guias. Éum saco, mas dá pra entender, já que éramos os únicos estrangeiros do pedaço.

Chegando lá em cima, uma surpresa. O lugar é simplesmente fantástico, super conservado, com uma vista espetacular. Descansamos e passeamos por um bom tempo. À 1,5 km do topo, estão construindo um estacionamento e lojas para turistas, o que deve significar que algo pode mudar (hoje não há demanda para este investimento, por falta de turistas).

Na hora de descer, pegamos uma carona em uma caminhonete particular (o cara parou, e nem perguntou nada), e nos levou de volta até Cap Haitien, fantástico!

Uma atração turística excelente, para mim impensável, e que deveria fazer parte do pacote dos navios (quem sabe é o que vai acontecer).

Cap Haitien é uma cidade com estilo colonial, bem mais agradável que Porto Príncipe (não é vantagem). No entanto, quando visitamos o mercado, ficamos bem impressionados. Primeiro porque é um supermercado no sentido literal da palavra, um mercado enorme, parte ao ar livre, parte dentro de um galpão de ferro, mas as condições sanitárias são horrorosas, da medo. Foi uma decepção.

Palácio Sans Souci

Palácio Sans Souci


Citadelle Henry

Citadelle Henry


Cape Haitien - colonial

Cape Haitien – colonial

 
1 comentário

Publicado por em maio 30, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

Tags: , , ,