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Ohrid : pérola do Bálcãs

Gostaria imensamente de saber qual a razão de um ônibus ter o horário de 4:45 da manhã. Quanto mais quando é o único do dia entre 2 cidades. Pois esse foi o horário do nosso ônibus de Berat para Pogradec, última cidade da Albânia antes da fronteira com a Macedônia. Por isso madrugamos às 3:50, com uma temperatura super agradável, quase zero grau. Tomamos um rápido lanche, e fomos para a praça central de Berat, onde o ônibus deveria estar. Isso porque na Albânia não existem estações de ônibus. Em Tirana, por exemplo, dependendo da direção que o ônibus vai, o ponto de saída é um diferente. Aliás, tivemos sorte em Tirana de termos chegado às 9:45 para pegar o ônibus das 10, pois ele já estava na rua, isso mesmo, saiu 15 minutos antes.

No caso de Berat, chegamos às 4:35, e ele saiu às 4:38, isto é, quase perdemos o ÚNICO ônibus do dia. Uma coisa que faltou dizer sobre a Albânia é que o ditador Enver Roxha, que governou o país com mão de ferro por 40 anos, construiu cerca de 700.000 bunkers de concreto. Ele tinha medo de uma invasão de uma super potência. Era 1 bunker para cada 4 albanês, e pesava 5 toneladas, e parecia um congumelo. Pra provar a eficiência do projeto, o engenheiro tinha que ficar dentro do bunker, e ele sofria um ataque teste de um tanque. Caso ele sobrevivesse, é porque estava aprovado. Vimos alguns destes perto das estradas. Hoje eles são uma dor de cabeça para os agricultores, pois não há como removê-los.

A viagem correu bem, e às 9 da matina já estávamos em Pogradec. No nosso ônibus tinha uma neozelandesa Gabriele e um americano Ben, que também estavam a caminho de Orhid. Então dividimos um taxi até a fronteira. Cruzamos à pé as 2 fronteiras, e entramos na Macedônia. É nessas horas que é bom viajar com pouca bagagem, pois queríamos visitar um monastério perto da fronteira, e tivemos que caminhar. Sorte que o tempo estava bom, e o papo também. Mas logo passou um ônibus, que nos levou até lá.

 O Monastério de Sveri Naum fica na beira do Lago Orhid. O lugar já é lindo sem o lago, colocando um lago com água azul claro no fundo, imaginem a fotografia. É de ganhar prêmio em algum concurso. Ficamos por lá por umas 2 horas. No monastério propriamente dito não pudemos entrar, mas há uma igejinha no pátio, e mais 2 nos jardins. Foi foto que não acabava mais. Depois arranjamos um taxi que nos levou até Orhid.

Sveti Naum

Sveti Naum

Orhid é um balneário super hiper arrumado, parece a Búzios da Macedônia. Tem uma cidade velha, claro que com piso e casas de pedra, subindo morro acima. Mas a costa é que chama mais ainda a atenção. Bares e cafés à beira do lago, com água azul turquesa. Vai-se caminhando pela beira do lago, passa-se por uma passarela de madeira sobre a água, depois sobe por uma escada morro acima, onde primeiramente tem uma igreja super charmosa, depois uma mini floresta, até culminar com o já tradicional forte em cima do morro. Não preciso nem dizer que lá de cima a vista é maravilhosa. Ohrid empatou com Bled pelo vice campeonato do lugar mais bonito desta viagem. Perde pelo imbatível Kotor, mas não é demérito nenhum.

Ohrid

Ohrid – de baixo

Ohrid - de cima

Ohrid – de cima

Ohrid

Ohrid – de lado

Fomos jantar com a Gabriele e o Ben. Comemos em um restaurante típico macedônio, o papo rolou solto, mais com ele, pois ela é meia criançona. Ele já tinha ido a Brasil, já morou na Croácia, fala bem o idioma. Falamos principalmente sobre política, história e cultura do Bálcãs, mas passamos também por política brasileira, e como não podia deixar de ser, americana.

Não podia deixar de mencionar o nosso hostel, excelente. O cara era um verdadeiro viciado em apostas de jogos de futebol. Passava o dia todo com um olho na tela do computador e outro na televisão, onde assistia os jogs ao vivo em sequência. O hostel, é claro, ficava em segundo plano. Por isso não tirou nota máxima, mas mesmo assim tivemos boas convesas sobre a vida dos Bálcãs, entremeada por papos sobre futebol (Flamengo era assunto proibido).

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Publicado por em outubro 7, 2013 em Albânia, Balcans, Bálcãs, Macedonia

 

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Berat : uma volta ao passado

A última noite no hostel de Tirana foi muito legal. Depois de jantarmos fora, voltamos para o hostel, onde estava rolando um tipo de sarau. Uma galera tocando todo o tipo de música (até bossa nova), com vários albaneses batendo ponto. O ambiente era mesmo especial. Foi de longe a noite mais fria da viagem. Tive que levantar de madrugada, no escuro, pra botar a calça jeans e o casaco, se não eu iria literalmente congelar.

Pela manhã tomamos o ônibus para Berat. Na saída da cidade, deu pra perceber que na véspera tínhamos estado na parte mais rica e desenvolvida da capital. Porque logo ficou claro a grande quantidade de prédios novos, tipo Minha Casa Minha Vida (por isso a grande quantidade de lojas de móveis). Além disso, ainda não sei o motivo, chamou a atenção a sequência de postos de combustíveis e de lavagens de carros. Mais me pareceu lavagem de dinheiro.

Tirana - constrastes

Tirana – constrastes

Na estrada, a paisagem era bem rural, e bem pobre. Decididamente a Albânia faz parte do Terceiro Mundo, ainda longe de ser qualquer coisa que lembre a Europa. Como a situação esteve muito ruim por muito tempo, a enorme quantidade de albaneses morando fora e enviando dinheiro para os parentes traz seu impacto nas construções. Primeiro porque há uma grande quantidade de edifícios pela metade, com a construção parada mesmo, fruto da recessão em outros países, que. afeta este fluxo de dinheiro para dentro do país. E outra coisa que chama a atenção é o número de hotéis novos construídos no meio do nada. Com certeza não há demanda e nem dinheiro para ocupá-los.

Bem, após quase 4 horas, chegamos à Berat. É uma cidade museu, com suas casas brancas construídas ao longo dos morros ao redor, ruas de pedra, um forte no alto de um dos morros, chamado Kalasa, com uma vista fantástica para o vale. Claro que subimos até o forte (subida bem pesada) para tirarmos fotos. Havia pelo menos 3 noivas tirando fotos à carater.

Berat

Berat

Kalasa - a citadela no alto do morro

Kalasa – a citadela no alto do morro

Vista da Kalasa

Vista da Kalasa

No final da tarde, fomos para a rua principal ver um verdadeiro vai e vem, acho que de todos os moradores da cidade. Incrível!! Os mais velhos estavam de terno e gravata, parecia que iam à algum evento especial. Os adolescentes em seus grupos, fofocando, azarando, as senhorinhas também bem vestidas, enfim, parecia um dia especial. Mas o dono do nosso hostel nos disse quené assim mesmo, não há nada de mais. E após o nosso excelente jantar, antes mesmo das 9 da noite, não havia mais uma alma viva na rua. Por falar no jantar, uma sopa de legumes, um macarrão, um chopp e sobremesa : 5 euros. Sem comentários.Apesar do frio de Tirana, nada se comparou ao frio desta noite. Além de eu ter saído até de  luvas, dormi com tudo que eu tinha de roupas quentes, e mais 3 cobertores.não há calefação nesta região da Albânia.

 
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Publicado por em outubro 5, 2013 em Albânia, Balcans, Bálcãs

 

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Tirana : o pacote surpresa dos Bálcãs

Fiquei incorfomado com a falta de transportes entre Kotor, em Montenegro e a Albânia. Fica tão próximo da fronteira, menos de 100 kms. Para chegarmos à Tirana, teríamos que pegar 4 ônibus. Um de Kotor para Bar, às 7:38 da manhã, outro de Bar até Uncijn, a última cidade de Montenegro antes da fronteira, depois um de Ulcijn até Skoder, primeira cidade albanesa, e o último de Skoder até Tirana. E Skoder, existe uma fortaleza para visitar, mas não parece ser nada imperdível. De qualquer forma, mesmo sem visitar a fortaleza, a previsão era de chegarmos à Tirana lá pelas 5 da tarde. Quase 10 horas de viagem para cobrir pouco mais de 220 kms. Acho que é um dos motivos pelo qual os turistas que vem descendo pelos Balcãs param em Montenegro, e não visitam a Albânia.

Quando descemos para jantar com o Henk, ele tava conversando com um esloveno. Este esloveno, o Marko, estava com sua namorada viajando de carro rumo à Albânia, e no dia seguinte iria para Tirana. Ele ofereceu carona, mas disse que pela manhã cedo ainda iria com a namorada visitar um local perto de Kotor. Nos disse que sairia lá pelas 10.

Grande dilema : seria ótimo pegar uma carona de carro até Tirana, mas nós tínhamos acabado de conhecer o cara, e se ele mudasse seus planos de uma hora pra outra? Só tínhamos aquele ônibus da 7:38 da manhã. Qualquer das opções representava um tipo de aventura. Decidimos correr o risco e esperar por ele às 10.

E não é que ele apareceu em ponto às 10. Meia hora depois estávamos na estrada. O cara era gente finíssima, sua namorada japonesa (que combinação!) também. Fomos meio apertados no banco de trás pela quantidade de bagagem, mas acho infinitamente melhor do quena outra opção. Resumo da ópera : a viagem durou 5 horas, com direito à parada para fotos, e um lanchinho.

Sveti Stefan - ilha chique em Montenegro

Sveti Stefan – ilha chique em Montenegro

A primeira impressão que tivemos da Albânia foi que é uma zona total. Se fora a Eslovênia, que já tinha classificado de Europa Europa, e os outro países ficavam no meio do caminho, a Albânia está longe disso. A estrada é uma zona, gente atravessando como se estivesse numa rua de pedestres, carros que param em qualquer lugar, enfim, lembrou um pouco certas regiões do Brasil.

Fortaleza de Skoder - Albânia

Fortaleza de Skoder – Albânia

Chegando perto de Tirana, começamos a notar muitas construçoes de lojas novas, muitas, e repito, muitas delas de móveis. Chamou ossa atenção. Todo mundo sabe que durante décadas a Albânia foi um dos países mais fechados do mundo. Mesmo na guerra fria, eles não se alinharam com ninguém, e a qualidade de vida sempre foi a mais baixa da Europa. Claro que depois que caiu a Cortina de Ferro, as coisas começaram a mudar, inclusive na Albânia. Mesmo assim, nossa expectativa era ver um país bem mais atrasado do que os outros, vivendo décadas de diferença.

Mas chegado em Tirana, tivemos uma surpresa, misturada com frustração. A cidade tem muitas, mas muitas construçōes novas, inclusive no centro. Na Praça Skandenbeg, centro nevrálgico da capital, já se nota a construção de prédios enormes e modernos, que não combinam em nada com os prédios e monumentos atigos. O trânsito lembra muito o nosso, primeiro porque há carros em excesso, e depois  porque a galera aqui não é chegada a respeitar as leis. Estacionam em qualquer lugar, buzinam sem parar, avançam sobre os pedestes, enfim, nada do que já não estivéssemos acostumados.

Tirana - Skanderbeg Square

Tirana – Skanderbeg Square

Mas devo confessar que o padrão de vida aumentou bastante, além de muitas Mercedes e outros carros de marca, muita gente arrumada e muitas boutiques ocidentais. Bons restaurantes, bares e cafés. Enfim, uma grande cidade, com tudo o que tem direito. A frustração ficou por conta de não termos visto a Albânia de 20 anos atrás.

Museu Nacional de História

Museu Nacional de História

Demos uma oma volta pela cidade, visitamos os principais monumentos, que estão concentrados perto daquela praça, inclusive passamos pela Rua George W. Bush. Para completar, vimos a monstruosidade que é a pirâmide projetada pela filha do Enver Roxha, que era o Museu Enver Roxha, que claro está desativado.

A pirâmide

Galera subindo na pirâmide

 
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Publicado por em outubro 3, 2013 em Albânia, Balcans, Bálcãs

 

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Kotor : cartão postal

Bem, conforme prometido, hoje vamos falar sobre Kotor. Até porque ficamos o dia todo por aqui. Ontem fomos jantar com o Henk, um holandês que conhecemos no ônibus de Mostar, e que, apesar de não fazer sentido, está pedalando por aqui. É que ele tinha deixado a bike aqui em Kotor, e foi passear pela Bósnia. Gente boa.

Entrada da cidade velha

Entrada da cidade velha

Acordamos cedo, e pra nossa felicidade, estava um super sol, ótimo para passearmos e principalmente subir a montanha que fica aqui atrás, a fim de apreciarmos uma das vistas mais bonitas que já vi. A subida consiste de 1.366 degraus, fora os trechos em rampa, que eu não contei, mas deveria. O Khouri tinha lido que são 1.500 degraus, não deve estar longe.

Kotor

Kotor

 

Subida íngreme - 1.500 degraus

Subida íngreme – 1.500 degraus

Demoramos pra subir, pois a cada curva nós parávamos para tirar fotos. Quando chegamos lá em cima, foi mais de 1 hora tirando fotos e babando, quase que literalmente. A vista consiste da cidade murada, do mar azul esverdeado, as montanhas ao redor, lembrem-se que se trata de um fiorde. Lá pelas tantas chegou finalmente um navio de cruzeiro, não sei se para atrapalhar a vista, ou para compor. O fato é que não combina com aquela paisagem.

Vista do fiorde

Vista do fiorde

No alto do forte

No alto do forte

Descemos tão devagar quanto subimos, pois já estava um sol de rachar, e como a luminosidade tinha mudado, acho que tiramos a mesma quantidade de fotos de novo, dos mesmos lugares.

Passeamos a tarde toda pela cidade velha, depois pelo cais, e um pouco do resto da cidade. Vale ressaltar que ontem à noite a cidade estava vazia, quase todos os turistas eram dos cruzeiros, ou foram embora de carro. Não vimos grandes hotéis por aqui, apenas alguns hotéis boutique na cidade velha. Acho que ainda tem muito para evoluir. Mas certamente Montenegro está fazendo muito dinheiro com o turismo. Os navios de cruzeiro vêm, e seus passageiros compram (e como compram), comem, bebem e por fim jogam. Aqui é o paraíso das apostas, vimos várias casas de apostas em futebol, tinha até a tabela da série B do Brasileirão. Engraçado como eles escrevem os nomes dos times brasileiros. Exemplo : Joinville pra eles é Džoinvil, Chapecoense é Čapekonse.

Kotor

Kotor

Mas o fato é que, apesar de ser mais evoluído do que a Bósnia e Herzegovina e a Sérvia, ainda há muito a ser feito em termos de estrutura para o turismo. No entanto, acho que foi o lugar mais bonito da viagem até agora. Um amigo meu esteve aqui em julho, e disse que ficou mal impressionado com os vendedores de relógio falsificados. Claramente ele veio na altíssima estação, o que não foi nosso caso.

 
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Publicado por em outubro 2, 2013 em Balcans, Bálcãs, Kotor, Montenegro

 

4 fronteiras em 1 dia

Pra começar o post de hoje, preciso finalizar o dia de ontem. Saímos pra jantar e aquela cidade pulsante se transformou em uma cidade fantasma. Talvez porque estivesse caindo outro dilúvio (acho que não), não havia quase ninguém na rua. Jantamos um cevapi de despedida.

Hoje pela manhã pegamos o ônibus às 7 da matina para Kotor, que fica em Montenegro. Há um pequeno detalhe : no meio do caminho entre a Bósnia e Herzegovina e Montenegro havia a Croácia. E no meio da Croácia havia a Bósnia e Herzegovina. Deu ora entender? Quando entramos na Croácia, tivemos que cruzar uma nesga de terra da Bósnia e Herzegovina que vai até o mar, e quebra a Croácia em 2 partes. Não faz muito sentido, já que neste trecho da Bósnia não há qualquer acesso por terra ao resto do país e tampouco há um porto. Todos os acesso são feitos por terra. E a nesga tem mais ou menos 9 kms de largura. Vamos fazer as contas de quantas fronteiras eu atravessei hoje, cada uma com 2 checagens de passaporte (na saída e na entrada) : Bósnia e Herzegivina para Croácia (1), Croácia para Bósnia e Herzegivina (2), Bósnia e Herzegovina para Croácia (3) e finalmente Croácia para Montenegro (4). O Khouri que nem conhecia a Croácia entrou 2 vezes hoje, e 1 mais quando fomos da Eslovênia para a Sérvia. Acho que dá pra contar como mais um país pra ele, não dá?

Na verdade acho que dá. Isso porque o ônibus pegou uma estrada que vai pelo litoral, parece uma espécie de Rio-Santos. Uma sucessão de curvas, com o mar de um lado e montanha do outro, um mar azul caribe, e um céu azul como há muito não víamos. Isso mesmo, ontem choveu tudo que tinha pra chover, e hoje não tinha mais nada.

Foto do litoral croata

Foto do litoral croata

Litoral croata

Litoral croata

O ônibus parou em Drubovnik, a estrela da Croácia. Por pouco tempo, mas depois foi costeando a cidade, deu pra tirar algumas boas fotos, e lembrar como este lugar é muito lindo. Qando mandei uma foto que tirei de Dubrovnik doônibus, me perguntaram por que não tínhamos incluído a Croácia no roteiro. A resposta é simples : tem tanta coisa bonita na Croácia, que vale uma viagem. Claro que podíamos ter ficado pelo menos 1 dia, masa falta de informação nos fez preferir não arriscar, pois como estamos em outubro, os ônibus já não têm o mesmo schedule, e poderíamos nos atrasar.

Dubrovnik - da janela do ônibus

Dubrovnik – da janela do ônibus

Depois de cruzarmos a quarta fronteira, e chegar à Montenegro, começamos e adentrar o maior fiorde da Europa. E no final dele fica Kotor. A paisagem é de cair o queixo. A estrada vai margeando o fiorde, às vezes entre a roda do ônibus e a água só há uma muretinha. São cerca de 40 kms até chegar à Kotor.

Costeando o fiorde, a caminho de Kotor

Costeando o fiorde, a caminho de Kotor

Chegando... fiorde ainda

Chegando… fiorde ainda

Kotor tem uma cidade velha, cercada por altos muros de pedra. Aliás, tudo na cidade é de pedra, as ruas e TODOS os prédios. Como vamos ficar por aqui amanhã o dia todo, nem vou me alongar muito, amanhã eu resumo a cidade. O que dá pra adiantar é que mesmo já sendo outubro, tinham 2 navios de cruzeiro ancorados, e claro que milhares de turistas rodando pela cidade murada. Espero que assim como em Mostar, eles durmam em outros lugares. Lá parece que eles apenas passam o dia, vindo de Dubrovnik, e voltam.

 
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Publicado por em outubro 1, 2013 em Balcans, Bálcãs, Montenegro

 

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Mostar : a estrela da Herzegovina

A noite de ontem foi bem mais calma, já que era domingo, e muita gente aparentemente estava se recuperando da noite de sábado. Tudo fechou mais cedo, e pra gente também terminou cedo. Isto é, mais cedo narua, pois quando chegamos de volta no hostel, o Adi, seu dono, ficou de papo conosco por quase 1 hora. Foi um papo ótimo.

Perguntei tudo o que eu queria, e ele respondeu sem pestanejar. Vamos aos tópicos :

– vida em geral : está boa, melhor do que no pós guerra. As pessoas são muito descansadas, já que quase todo mundo tem um parente imigrante, que manda dinheiro pra casa todo mês. As remessas mensais de dinheiro dos imigrantes são maiores do queo PIB do país.

– turismo : vem crescendo bem mais do que no resto da Europa. Isso dá pra ver claramente, primeiro pois a base é pequena, e depois porque as pessoas vāo descobrindo as atrações e facilidades, e vào passando para outros.

– política : pelo o que ele disse, há muita corrupção, e o partido que está no poder é o mesmo que levou o país à guerra. Isso atrasa o desenvolvimento, dando a impressão de que estão perdendo um bonde (parece com um país que eu conheço).

– guerra : ele lamenta, já que não via motivo para tanta desunião. O problema começou porque o Marechal Tito, que governou a Iugoslávia com mão de ferro porn35 anos, morreu sem deixar um sucessor. Como ninguém se entendeu depois disso, começou a confusão, com as regiões que já tinham certa autonomia querendo independência. Primeiro foi a Eslovênia, praticamente a única por bem. Teve guerra com a Croácia, Bósnia e Herzegovina e Kosovo. Aliás, o cerco à Sarajevo durou 3 anos, e não meses, como eu escrevi. Ele é muçulmano, mas convive super bem com seus vizinhos judeus, cristãos ortodoxos, ou de qualquer outra religião.

Bem, na hora que o papo rolava, a tão anunciada chuva começou a cair. Coveu a noite toda. Tava ótimo pra dormir, mas não pra acordar às 5:45 da matina, para pegarmos o trem até Mostar. O trem já tinha cumprido pelo menos 2 vezes o tempo necessário para aposentadoria, tava bem cansadinho. Mas a viagem é qualquer coisa de imperdível. Apesar do tempo ruim, com chuva e neblina, deu pra tirar várias fotos. O caminho do trem vai margeando um rio, com montanhas dos 2 lados, boa parte do caminho é um verdadeiro canyon. Fora a enorme quantidade de túneis, alguns deles intermináveis. Não dá pra piscar, tem que ficar atento, pois a qualquer instante pode aparecer uma oportunidade de foto. São apenas 128 kms, mas que duram 3,5 horas.

Vista do trem para Mostar

Vista do trem para Mostar

Pra continuar o dia, chegamos à Mostar. A grande atração da cidade é a Old Bridge, sua ponte medieval, de pedra, datada da idade média. Em torno dela, dos 2 lados, há vielas com piso de pedra, bem no estilo oriente médio, cheias de lojinhas para turistas, cheias de bares, restaurantes e cafés, sem falar nas mesquitas, que são onipresentes.

Old Bridge - Mostar

Old Bridge – Mostar

Quando fomos pra cidade, estava caindo um dilúvio, uma verdadeira vingança do Weather Channel, por eu ter duvidado das suas previsões. Saímos com casaco, capa de chuva, guarda-chuva, etc. e usamos tudo ao mesmo tempo. Só que uma hora depois parou de chover, às vezes até aparecia um solzinho, e a coisa só melhorou (a previsão era de chuvas torrenciais até a madrugada de amanhã).

Ruela de Mostar

Ruela de Mostar

Poucas vezes na minha vida eu vi uma cidadezinha tão fotogênica. Tendo a ponte como referência, praticamente a cada 3 passos, nós parávamos pra tirar fotos. Só vendo mesmo pra entender o que eu quero dizer. E quando parou de chover, apareceu um bando de turistas, dezenas de grupos. Não sabemos de onde eles vieram, mas encheram tudo.

Outra ponte de Mostar

Outra ponte de Mostar

Mostar fica na região chamada de Herzegoniva, que também dá nome ao país, apesar de quase todos o chamarem apenas de Bósnia, o que está errado. Amanhã é hora de trocar de país, e vamos embora da Bósnia e Herzegovina. Foi uma surpresa agradável. Não quero ficar agora comparando com os outros, pois ainda tem mais alguns pela frente, e no final eu faço um resumo comparativo.

 
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Publicado por em setembro 30, 2013 em Balcans, Bálcãs, Bosnia

 

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Sarajevo : um domingo especial

Vale à pena falar sobre a noite de ontem. Primeiro fomos comer outra comida tipica, chamada burek. Trata-se de uma torta enroladinha, tipo folheada, que pode ter como recheio carne, espinafre, batata ou queijo. Os restaurantes fazem em grande quantidade e vendem à quilo. É realmente delicioso. As ruas estavam fervilhando, era sábado à noite e parecia um feriado nacional ou coisa do ramo. Como os bares, restaurantes, cafés e afins ficam todos na mesma área, parecia que uma multidão tinha invadido a cidade velha. Muito movimentado mesmo, desde famílias, grupos de idosos, jovens e até adolescentes, tudo misturado. Claro que cada estabelecimento com sua tribo. O problema é que nós não nos encaixamos em nenhuma dessas tribos (quase que nos enquadramos nos idosos hehe). Por isso, e pela temperatura, que despencou, voltamos pro hostel cedo.

Hoje o tempo continuava bom, vem ameacando chover à uns 3 ou 4 dias, mas só pegamos umas gotas em Belgrado. Agora parece que a coisa vai ficar séria, e hoje à noite entra uma grande chuva nos Bálcãs, e vai até depois de amanhã. Vamos ver. Dessa vez eu trouxe guarda chuvas (uau!!).

Rodamos pela cidade velha, dessa vez parando em cada ponto de interesse, andamos bastante, vimos a famosa Ponte Latina, onde ali perto foi assassinado Franc Ferdinand em 1914, estopim de primeira Guerra Mundial. Andamos por 7 horas, repetimos o cevati de ontem. Vale ressaltar que apesar do país ser majoritariamente muçulmano, todos convivem em paz. Nota-se nas ruas as diferenças entre as religiões, fora os turistas, é claro. Uma harmonia só.

Latin Bridge

Latin Bridge

Monumento às crianças mortas na guerra

Monumento às crianças mortas na guerra

Pra finalizar, quando estávamos com um astral lá pra cima, decidimos ver uma exibição sobre Srebrenica. Pra quem não lembra, Srebrenica é uma cidade da Bósnia e Herzegovina que foi declarada zona neutra em 1994, durante a Guerra da Bósnia. A ONU enviou uma tropa holandesa, que ficou tomando conta da cidade, até que o exército bósnio sérvio (isso mesmo, existia um exército bósnio, formado por sérvios) cercou a cidade por meses, até que em 11 de julho de 1995 (apenas 18 anos atrás) eles invadiram, e por uma semana executaram praticamente todos os muçulmanos que havia. Como era uma zona neutra, havia muitos refugiados de outras cidades, então o massacre foi horrível, posteriormente considerado oficialmente um genocídio. E olha eu de novo participando disso, menos de 2 anos depois de ter visitado o Museu do Genocídio em Ruanda, já estava aqui vendo as coisas mais cruéis que um ser humano (se é que da pra chamar de ser humano) pode fazer. Realmente deprimente.

Mas posso dizer que Sarajevo realmente me tocou, recomendo para aqueles que desejam conhecer um lugar diferente, que certamente não é Europa Europa, pois está longe de atingir os padrões da Europa Ocidental, mas nem por isso deixou de me marcar como um destino especial.

 
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Publicado por em setembro 29, 2013 em Balcans, Bálcãs, Bosnia, Genocidio, Sarajevo

 

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