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Belgrado : a capital da night?

Esse post não pode obviamente ter como título a Sérvia, pois só visitei a capital Belgrado. E nem poderia, por não saber como funciona em outras cidades. Mas um coisa é certa : Belgrado pulsa à noite. Depois de 9 horas no trem, chegamos em Belgrado. Logo conseguimos acabar com várias incertezas. Pegamos um mapa da cidade, trocamos dinheiro e compramos nossas passagens de ônibus para Sarajevo no sábado pela manhã.

Chegada aonde mesmo?

Chegada aonde mesmo?

Daí fomos para o Spriti Hostel, que fica no quarto andar de um prédio residencial. Tudo funciona, o quarto e o banheiro são limpíssimos. A recepcionista nos deu todas as dicas possíveis para a noite e para o dia seguinte. Antes mesmo de sairmos, já nos sentíamos experts em Belgrado.

A noite tem basicamente 2 ruas pricipais com mais movimento : uma é chamada de Silicon Valley, por causa das meninas siliconadas que ficam desfilando. E foi por ela que começamos, pois era a mais perto do hostel. São dezenas de bares em uma rua secundária, mas todos eles super chiques, todos com mesas nas calçadas, e como o tempo ainda está bom, todos querem ficar do lado de fora. A maioria tem cozinha internacional, e não era isso que queríamos. É um defile so de carrões, mulheres e homens super bem vestidos. Ai já viu : nós 2 de calças jeans, T-shirts e tênis, e o Khouri ainda saiu com a câmera dele pendurada no pescoço. Não faltava mais nada. Talvez uma camisa florida para cada um. Ou uma melancia pendurada no pescoço.

Bem, de lá fomos para a outra rua, esta com os restaurantes locais. A recepcionista nos tinha indicado o 3 Hats, que é um super restaurante, com vários ambientes, só na varanda cabem mais de 200 pessoas. Tinha umas 3 bandinhas tipo mariachis sérvios, tocando musicas típicas, e aonde eles iam, as pessoas se levantavam e comecavam a dançar. Uma alegria só, parecia uma grande festa, quando na verdade e apenas o estado de espírito deste povo, super festeiro e alegre. Foi contagiante. Isso sem falar na comida, que estava ótima, e pra finalizar, barata. Uma noite perfeita. Voltamos pro hostel umas 11:30, e o movimento ja estava diminuindo.

Quando eu li sobre Belgrado no Lonely Planet, eles só falam bem da noite, e dizem que não tem muitas atrações. Talvez por isso não tínhamos muitas expectativas. E assim saimos pra dar uma volta. Primeiro fomos a Citadela Kalemegdan, que nada mais é do que um grande parque com igrejas ortodoxas, um forte no alto de um morro, de onde se vê o encontro dos rios Danubio e Sava, e tem um vista linda de parte da cidade. Alem disso, tem cafés, restaurantes, quadras esportivas, museus e ate um zoo. Um pouco mal cuidado, é verdade, meio sujo, principalmente comparado com a Eslovênia, onde tudo e irritantemente perfeito.

Kalemegdan Citadel

Kalemegdan Citadel

De lá partimos para a Kneza Mihalja, que é a rua de pedestre principal da cidade. Onde estão todas as grifes internacionais, bancos, restaurantes chiques, e o povo local, claro. Continuamos caminhando, passamos pelo Hotel Moscou, um joia da arquitetura, e 2 igrejas ortodoxas, uma delas imensa, a Catedral de St. Sava. Somando tudo isso, claro que algumas paradas para uns snacks, tomou praticamente o dia todo. E quem disse que não tem nada pra fazer em Belgrado de dia? Foi um dia longo e proveitoso.

Catedral St. Sava

Catedral St. Sava

Pra fechar (nao sei se com chave de ouro ou de outro material), passamos por alguns prédios que foram bombardeados pela ONU quando da guerra do Kosovo. Os sérvios deixaram os prédios do jeito que estavam, como símbolo da agressão sofrida. Claro que não quero nem passar perto do debate sobre quem estava certo ou não, apenas uma triste constatação. Não estou defendendo os sérvios só porque estou aqui e adorei Belgrado. E as imagens falam por si só.

Prédio bambardeado

Prédio bambardeado

Sobre os custos, posso dizer que um brasileiro que hipoteticamente ganhasse uma passagem para Belgrado, e precisasse economizar, poderia viver aqui por um tempo. O custo de vida é bem mais baixo do que na Eslovênia e no resto da zona do Euro.

E afinal a pegunta que não quer calar : Belgrado é a capital da night ou do dia?

Resumo da ópera : a Sérvia e uma incompreendida, já estive em praticamente todos os países em volta dela, e nunca tive muita vontade de vir. Esta visita mostra o quanto eu estava errado ou desinformado.

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Publicado por em setembro 27, 2013 em Balcans, Bálcãs, Belgrado, Servia

 

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Eslovenia : um breve resumo

A parte mais difícil de quem escreve um blog, é ter que escrever sobre algo que a gente não e especialista. Então vou dar apenas minha opinião pessoal sobre a Eslovênia.

Um país super desenvolvido, onde tudo funciona, todos respeitam a lei. So não digo que o IFB é zero, por causa do idioma. Mesmo assim, TODOS falam inglês, o que fez a viagem ficar super fácil.

Considerando meu roteiro, da vontade de dizer que a viagem ainda nem começou, pois sei que algumas dificuldades aparecerão em breve, como idiomas, transporte, comida, etc. Nada disso aqui preocupou. O tempo estava perfeito, sem chuva, sem frio, podemos tirar lindas fotos.

O hostel era realmente muito bom. Apesar do nosso quarto, isto é, nossa cela ser apertada, o que é compreensível em se tratando de uma antiga prisão de verdade, tudo era limpo, funcionava, e o ambiente também era otimo, com um terraço bem aconchegante.

Tomamos café da manhã na estação de trem hoje, e partimos para a Sérvia.

 
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Publicado por em setembro 26, 2013 em Balcans, Bálcãs, Eslovenia

 

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Ljubljana : a pequena que satisfaz

Depois de mais de 24 horas de viagem, com 3 voos, finalmente cheguei à Ljubljana. O Khouri, que tinha ido de Air France já tinha chegado, e foi me buscar na estação de ônibus. Aliás, do aeroporto até o Centro não vi uma alma viva na rua. Fomos para o hostel, que fica em uma antiga prisão. Mas tudo limpinho e arrumado. Nosso quarto ficava em uma cela, literalmente, com grade e tudo. Comemos uma pizza e tomamos umas cervejas locais (Lasko) lá mesmo. Nosso hostel fica em uma área totalmente alternativa, Metelkova, parece fazer parte de uma comunidade fora dos padrões, muito grafite, muitas boites underground, cafés, estátuas estranhas, etc.

No dia seguinte deu pra ter uma ideia melhor. A cidade é toda compacta, o centro histórico é pequeno, porém lindo, tive a impressão de estar tudo no lugar certo. Impressiona a quantidade de cafés, tomar café deve ser o esporte nacional.

Tem um castelo no alto de uma colina, com uma vista fantástica. A cidade tem 270.000 habitantes, é menor que Taubaté! A capital do país! Tudo aqui é compacto, as ruas, os bares, as estradas…Detalhe : o idioma aqui é ininteligível!

À noite o movimento acaba cedo, antes das 10, exceto em alguns bares e no nosso hostel. Lá eu não sei que horas acaba, pois fomos dormir antes do fim.

Triple Bridge

Triple Bridge

Comunidade de Metelkova

Comunidade de Metelkova

Dragon bridge. O dragão é o símbolo da Eslovênia

Dragon bridge. O dragão é o símbolo da Eslovênia

 

 

Nossa cela no hostel prisão

Nossa cela no hostel prisão

A primeira impressão foi a melhor possível, um mundo esquecido dos brasileiros, que não sabem o que estao perdendo.

 
 

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Próxima Parada : Bálcãs

Chegou a hora de uma nova viagem. Não vai ser longa, apenas 16 dias, mas o IFB dela é razoável. IFB, para quem não sabe, é o Índice de Frio na Barriga. O IFB não depende da duração da viagem, nem da distância. A viagem que originou este blog teve um IFB alto, mas que poderia ter sido mais alto, se não fossem as consultas ao blog do Guilherme. A recente ida ao Haiti teve um IFB alto, mas poderia ter sido mais alto, se eu não tivesse ido para lá com o próprio Guilherme em pessoa. Essa tem um IFB médio, pois os Bálcãs são uma região conturbada, um caldeirão étnico e religioso, origem de uma guerra recente bem sangrenta, com massacres, limpezas étnicas, cheia de ódios e feridas, que provavelmente não estão ainda cicatrizadas. Mesmo no curto espaço de tempo, espero que dê para sentir um pouco desta pimenta cultural.

Há cerca de 20 anos atrás, esta viagem me renderia apenas 1 país novo na minha lista, a Albânia. Nem mesmo a Iugoslávia contaria, já que eu a visitei em 1989. No entanto, coincidência ou não, eu estive somente onde hoje é a Croácia. Portanto, Eslovênia, Sérvia, Bósnia, Montenegro, Albânia, Macedônia e Kosovo contarão como 7 países novos. Com certeza vai ser rápido, vapt vupt, não é do jeito que eu gosto, mas sempre melhor do que não ir.

Logistica e logicamente seria melhor iniciar pelo sul, isto é, pela Macedônia e ir subindo, finalizando na Eslovênia. Isto porque certamente a Macedônia deve ser um dos lugares com menos infra, e um pouco mais de dificuldade de comunicação e transporte. E certamente a Eslovênia deve ser o oposto. Mas então por que estamos fazendo ao contrário? Porque até mês passado, quem entrava em Kosovo antes da Sérvia tinha seu visto sérvio invalidado, pois como os sérvios ainda consideram o Kosovo como seu território, teria que tirar outro visto. Então a solução era ir para a Sérvia antes, e depois entrar no Kosovo normalmente. Assim foi pensado na hora de comprar as passagens. Agora o visto para a Sérvia não é mais necessário, então poderia ter feito da outra forma, mas é tarde de mais.

Estou indo com um grande parceiro, o Khouri, experiente em viagens com IFB médio pra cima. Estivemos juntos na Índia e Nepal em 1988, quando nem existia Lonely Planet, e a Índia era alinhada com a antiga União Soviética, isto é, não havia produtos ocidentais por lá. Isso sim é IFB alto. Mas fica em outro capítulo. Por enquanto, só as passagens de ida e volta, e os hotéis/albergues reservados. Transportes vamos ver localmente, não creio que vamos ter muitos problemas. Há um trecho entre Kotor (Montenegro) e Skoder (Albânia) sem transporte público, vamos ver como nos viramos.

Como sempre, mochila média, com pouca roupa, apenas o básico, já que dá pra lavar o que for preciso, ou no limite, podemos sempre comprar algo. O importante é viajar leve.

 
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Publicado por em setembro 16, 2013 em Balcans, Bálcãs

 

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