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República Dominicana

Não tinha falado quase nada sobre a República Dominicana. Afinal, chegamos em Santo Domingo no final da tarde, e logo de manhã cedo no dia seguinte partimos para o Haiti. Agora estávamos voltando. Pegamos um ônibus em Cap Haitien para Santiago, a segunda cidade da República Dominicana. De lá, tínhamos que pegar outro ônibus até Sossua, e de lá uma van até Cabarete, nosso destino final. A viagem toda demorou umas 5 horas, mas tranquila.

Cabarete é uma mistura de Caiobá, no Paraná, com Cabo Frio (foi brincadeira com o Guilherme, mas não está longe da realidade). É um super destino turístico de americanos que querem fazer esportes radicais, como kitesurf, windsurf, surf, e outros, mas também pra quem simplesmente quer relaxar em frente à praia. Há inúmeros condomínios estilo americanos mesmo, e a língua local é meio à meio, de tanto americano. Há voos diretos de NY, Chicago, etc para lá.

Obviamente o ambiente não tinha muito a ver com o nosso estilo. Mas o que salvou foi a guest house que ficamos, muito maneira. Pra começar, ficamos em um bangalô, tinha uma piscina, um restaurante estiloso (que inclusive era muito frequentado por gente de fora da guest house) em frente à um laguinho, e algumas pessoas bem legais. Conhecemos um belga Patrick, que tinha morado no Haiti, Guiné, Senegal e outros lugares menos votados, e ele tinha muitas histórias interessantes pra contar, pena que um pouco rancoroso e demais politizado. Mas o spapos valeram e muito, até porque a gente começa a entender como funcionam as organizações de ajuda humanitária, que de ajuda humanitária têm muito pouco. Apenas um pequena parcela do dinheiro chega até a população, o resto fica preso na burocracia, nos custos de manter esta gente com mordomias, e é claro, com a corrupção.

Foram 2 dias pra relaxar (o Guilherme até surfou), até a volta para Santo Domingo, onde matamos nossas últimas horas no centro histórico. Santo Domingo foi meio decepcionante, tem até prédios bonitos, bem cuidados, mas não há relamente nada de surpreendente. Talvez porque eu e o Guilherme já temos estados em várias outras cidades com estilo colonial, então foi meio repetitivo. Fora do centro histórico (chamado Zona Colonial), é apenas uma cidade comum, com estilo bem misturado entre o latino e o americano. Claro que a influência dos USA é enorme, até pela distância, mas tem fast food pra tudo quanto é canto, e muito beisebol e basquete também.

Cabarete - paraíso do surf

Cabarete – paraíso do surf

 

Rua principal de Cabarete

Rua principal de Cabarete

Nosso bangalo!!

Nosso bangalo!!

Sem dúvida, pra quem inicialmente tinha ideia apenas de passar uns 10 dias descansando nas praias da República Dominicana, a viagem foi bem intensa, a experiência no Haiti foi especial. Não me arrependo de não ter contado lá em casa, e nem pros amigos. Quando voltei, ouvi várias estórias de como é violento, não se pode sair na rua sem risco de ser assaltado, seuqestrado, etc. Só que já tinha voltado, e não vi nada parecido por onde passei. Será que foi sorte?

Santo Domingo

Santo Domingo

Castelo de Santo Domingo

Castelo de Santo Domingo

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Publicado por em junho 22, 2013 em Uncategorized

 

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Haiti – Resumo

O que dizer do Haiti? Não vamos nos prender ao esteriótipo de que é um país falido, sem infraestrutura, sem governo, sem PIB, sem turista, etc. Isso é o que ouvimos, vimos pela TV. Do mesmo jeito que um belga que conhecemos em Cabarete (Rep Dominicana) nos disse que não vai ao Rio por conta dos arrastões na praia (aconteceram há mais de 15 anos), muita gente pensa que só de pisar em Porto Príncipe, vai ser agarrado e assaltado por uma turma de desesperados. Não é nada disso.

Mas infelizmente a realidade não fica longe disso. O país é pobre, as ruas estão em estado de calamidade, em termos de sujeira. Não há quase coleta de lixo, e isso realmente incomoda, e diria que seria o fator principal para afastar os turistas. Eles deveriam cuidar mais deste ponto, mas ao mesmo tempo sei que não é a prioridade em um lugar onde falta literalmente tudo. Ou quase tudo.

O que não falta é disposição do povo para seguir em frente. A vida não acabou no terremoto de 2010. As pessoas estão lá, e têm que continuar. E a vida parece ser uma constante luta pela sobrevivência diária. Não há espaço para lamentos, depressões, e preocupações com limpeza, organização e respeito à algumas leis. Exemplo : apesar de tudo, a criminalidade é baixa, quem é pego roubando é preso, se não for linchado antes. O trânsito é caótico mesmo, já descrevi um pouco sobre isso. Tem alucinados como nosso motorista de taxi na chegada á PAP, mas a maioria espera pacientemente nos engarrafamentos.

Chama a atenção Petion Ville, que fica nos arredores de PAP, e é o bairro/cidade dos bacanas. Dizem que há 11 famílias que controlam a economia. Não sei se é verdade, mas sei que vimos alguns Porsches, BMWs e Mercedes em Petion Ville, quase todos dirigidos por haitianos. É quase que uma ilha da fantasia o lugar, inacreditável a diferença de vida entre Petion ville e Porto Príncipe, à apenas alguns kms de distância.

Lotação esgotada!

Lotação esgotada!


Ai meu dente

Ai meu dente


Transporte alternativo

Transporte alternativo

Outra coisa que chama a atenção é que os gringos das ONGs, e outras agências de ajuda causam verdadeira ojeriza nos haitianos. São pessoas, a maioria jovem, que vêm pro país ganhar salários altos, ter uma vida cheia de mordomias (às vezes o conceito de mordomia pode ser relativo, só de ter roupa limpa, comida e uma boa cama já é considerado uma grande mordomia), e que não se misturam com o povo que necessita tudo.Estão lá quase que por obrigação. Isso não passa desapercebido. Aliás, um detalhe: a organização Viva Rio foi muito bem comentada, passando longe disso que acabei de descrever.

Os brasileiros são em geral muito bem conceituados, tanto pelo futebol, claro, como pela participação efetiva no processo de pacificação. Ponto pra nós, apesar da polêmica se deveríamos estar gastando tantos recursos em outras terras, já que tantos brasileiros precisam desses recursos tanto quanto eles. Mas conforta saber que não é recurso jogado fora.

Fora de Porto Príncipe, a vida pode ser mais difícil ou fácil. Difícil por ficar quase que totalmente fora do radar dessas organizações, que focam muito mais na capital e em Cap Haitien. Quando estávamos parados na estrada de terra, com a camionete quebrada, passou uma SUV com 2 americanos de camisa social e gravata (era domingo), e 3 adolescentes no banco de trás, também de camisa social e gravata. isso mostra que os missionários estão sim, mais próximos do povão, e fora dos grandes centros. Fácil por ficar longe daquela confusão, por não ter sido atingido pelo terremoto, pelo povo ter uma vida muito mais simples, sem miséria, apenas vivem com muito pouco recursos. Porém, parecem mais felizes, e por não ter acesso às informações, não sentem faltam do que não sabem existir. E conta bastante o fato de que em alguns lugares que passamos não haver turistas nenhum. Em Cap Haitien é um pouco diferente, há poucos turistas, mas muitos estrangeiros de agências. Então existe mais contato. Lembro que o rapaz da guesthouse de Porto Príncipe disse que nós éramos os segundos turistas do ano, que ali se hospedava mais o pessoal de missões.

Pescador em Labadie

Pescador em Labadie


Tecnologia

Tecnologia


Cap Haitien

Cap Haitien

Claro que não cabe à mim dissertar sobre qual seria a solução para o Haiti, nem tenho esta pretensão. Apenas lamento o que ouvi sobre as interferências externas (principalmente dos Estados Unidos, é claro) sobre a política, e decisões fundamentais para o país (até como o resultado das últimas eleições).

Valeu à pena ter ido? Para um turista regular, é claro que não. Não se come bem, não se move bem, a sujeira está em todo lado e a infraestrutura é precária. Mas para mim valeu muito à pena. Vi um país guerreiro, com um povo genuinamente simpático e hospitaleiro, não senti em nenhum momento medo. Confesso que pelo o que tinha lido antes de ir, estava apreensivo sobre Porto Príncipe, e por isso até não contei lá em casa que iria ao Haiti. Mas estava enganado. A experiência em Labadie mostrou o lado autêntico de um povoado que não recebe ajuda, (quase nenhuma) visita, que vê 4 ou 5 vezes por semana um transatlântico ancorar bem em frente, e milhares de turistas milionários (comparados com eles) se divertirem o dia todo, e nem se darem ao trabalho de ir lá conhecê-los. Como esse povo trata 2 turistas brancos, milionários (comparado com eles, éramos sim milinários), e que ficaram 2 dias por lá? Com cordialidade, gentileza, hospitalidade. Uma agradável surpresa!

 
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Publicado por em junho 8, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Cap Haitien

Na volta para Cap Haitien, rapidamente compramos a passagem para o dia seguinte, para voltar a Republica Dominicana (Cap Haitien – Santiago). Depois arrumamos um hotel, bem ruinzinho e bem carinho.

Daí nos mandamos para visitar a Citadelle Henry. Pegamos um matatu (van-caminhonete, e andamos uns 25 kms até Millot. De lá fica a subida a até a Citadelle. São 8,5 kms de subida, em um desnível de 970 metros. Lá embaixo, na entrada, fica o Palácio de Sans Souci, bem em ruínas mas um bom aperitivo. Demoramos 90 minutos, subindo em um ritmo forte, sem paradas. Chegamos lá em cima encharcados de suor, com as pernas bambas de cansaço. Desde o início do caminho, um sem número de haitianos nos oferecem caronas de motos ou cavalos (pagas, é claro). Fora os guias. Éum saco, mas dá pra entender, já que éramos os únicos estrangeiros do pedaço.

Chegando lá em cima, uma surpresa. O lugar é simplesmente fantástico, super conservado, com uma vista espetacular. Descansamos e passeamos por um bom tempo. À 1,5 km do topo, estão construindo um estacionamento e lojas para turistas, o que deve significar que algo pode mudar (hoje não há demanda para este investimento, por falta de turistas).

Na hora de descer, pegamos uma carona em uma caminhonete particular (o cara parou, e nem perguntou nada), e nos levou de volta até Cap Haitien, fantástico!

Uma atração turística excelente, para mim impensável, e que deveria fazer parte do pacote dos navios (quem sabe é o que vai acontecer).

Cap Haitien é uma cidade com estilo colonial, bem mais agradável que Porto Príncipe (não é vantagem). No entanto, quando visitamos o mercado, ficamos bem impressionados. Primeiro porque é um supermercado no sentido literal da palavra, um mercado enorme, parte ao ar livre, parte dentro de um galpão de ferro, mas as condições sanitárias são horrorosas, da medo. Foi uma decepção.

Palácio Sans Souci

Palácio Sans Souci


Citadelle Henry

Citadelle Henry


Cape Haitien - colonial

Cape Haitien – colonial

 
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Publicado por em maio 30, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Não Conta lá em Casa

Depois de ter um dia super intenso em Porto Príncipe, deixamos a cidade partindo para Cap Haitien, que fica no litoral norte do Haiti. Tudo indicava um dia tranquilo, se não fosse o idiota da guest house, que garantiu saber onde se pegava o ônibus até lá. Ele nos pediu somente que pagássemos a gasolina, e nos levaria até o local. Pediu 3 galões, o que significa 11 litros. Só que depois de 5 km, ele parou num posto de gasolina, falou com um haitiano em creole (o idioma local), e nos disse que poderíamos entrar em uma van, que nos levaria a uma cidade à 4 km de Cap Haitien. De lá seria fácil chegar ao destino final.

Como não sabíamos exatamente o que fazer, decidimos topar. Tínhamos lido que a viagem demoraria umas 7 horas, e seria meio tenebrosa, então achamos que estava tudo certo. Não estava. Logo vi uma placa apontando Cap Haitien na CN1 (Carretera Nacional 1), e alguns kms depois, vi que estávamos na CN3, isto é, outra estrada. Bem, como a van parecia uma lata de sardinha, e eu estava sentado com uma banda num banquinho lateral e outra no ar, e encostado na mala (literalmente) do meu vizinho de trás, achei melhor tratar somente da minha sobrevivência e deixei pra lá.

Em uma rápida parada, conhecemos o Pascal, um simpático negão haitiano que estava sentado lá no banco da frente. Ele nos disse que a van ia para em uma cidade à 50 kms de Cap Haitien, e dela teríamos que pegar outro transporte, mas que ele iria conosco. O incrível que aconteceu é que a estrada passa por dentro de um cemitério. Isso mesmo, por dentro. Essa é inédita pra mim.

Ah bom! Assim fiquei tranquilo. Estávamos já numa estrada de terra (devia ser a CN249), no meio do mato, quando a van parou e o motorista disse que ali era o ponto final. Todo mundo desceu, e o nosso amigo Pascal disse que teríamos que ir de moto uns 10 kms até a vila mais próxima, para pegar um ônibus. E assim fomos, eu na garupa de um cara que nem falava nenhuma língua que eu soubesse, e o Guilherme na garupa do Pascal, que estava na garupa de outro mototaxista. Ainda bem que fiz seguro de viagem!!!

Dez kms depois o Pascal para uma caminhonete, e nós saímos das motos e fomos para a caçamba da camionete. Tudo ótimo, se não fosse meio dia, o sol estar de rachar o coco, e a tal da camionete andava 1 km, parava, o motor morria, os caras abriam o capot, ligavam, andavam mais 1 km, e morria de novo e assim foi, mais de 10 vezes. Cruzamos alguns rios, onde o slocais lavavam roupas, motocicletas, tomavam banho, e a vida seguia. Depois de enguiçar umas 5 vezes, o próprio Pascal perdeu a paciência, e resolveu pegar um mototaxi, e nos deixou lá. Uma roubada.

Sim, e a roubada aumentou. Começou a entrar gente e carga até não poder mais. Eu fiquei tão espremido, que nem 1 ano de pilates, combinado com acumpultura resolveria o problema. Não sei se foi sorte ou azar, mas a van parou de vez, e dali não saímos mais. Passou quase 1 hora, até que passou outra camionete, e saiu um carinha da nossa cabine e foi para a outra camionete. Quando resolvemos fazer o mesmo, nosso motorista disse que tínhamos que pagar a corrida. Achei um absurdo, já que não tínhamos andado nem 10 kms, e a van estava enguiçada. Que absurdo explorar os turistas!

Conversei com o Guilherme, aí ele me disse que viu o carinha pagar a viagem da primeira camionete, e resolvemos que na próxima camionete, nós pagaríamos e nos livraríamos daquela roubada. E assim foi. Só não esperava que os pobres haitianos, bem humildes, que estavam na nossa camionete e resolveram fazer o mesmo sem pagar quase apanharam do motorista e do seu ajudante. Na verdade, eles não estavam explorando os turistas (nós), e sim qualquer um.

Depois disso, andamos mais 50 kms, de novo espremidos que nem sardinha e chegamos a Cap Haitien. O desgraçado da guest house, que quis se livrar de nós, nos deixando numa van errada, mal sabe que nos fez um favor. Isso porque nos divertimos a valer, apesar de toda a roubada. Conversamos com muitas pessoas, conhecemos o Haiti rural, enfim, tivemos uma experiência única (mesmo!).

Chegando lá, em pleno domingo à tarde, outra surpresa : hotéis super caros e horríveis. Tínhamos ouvido falar de uma praia chamada Labadie, que fica a uns 15 kms de Cap Haitien, e sugeri que fôssemos direto pra lá. Pegamos um mototaxi, repito um só mototaxi, com nós 2 na garupa (mais as mochilas), e lá fomos até uma praia, de onde pegamos um barco até Labadie. Só não é indescritível, porque traz muitas semelhanças com Ilha Grande, ou Parati. Um verdadeiro paraíso. Havia um hotel um pouco afastado, mas obviamente era caro, e meio sem vida. Então nosso amigo barqueiro nos levou até a vila, onde poderíamos arrumar hospedagem barata.

Claro que não havia nenhum outro turista no local. Ficamos em 2 quartinhos na casa de uma dona de restaurante. Banho de caneca. Rapidamente conhecemos metade da vila, tomamos cerveja, fomos nadar ao entardecer. Caraca, depois de um dia de cão, terminamos com chave de ouro. Desde Porto Príncipe pegamos 7 transportes até chegarmos a Labadie. Não dava mesmo pra contar lá em casa onde eu estava. Só na volta que eles vão saber hehe.

Camionete definitivamente quebrada

Camionete definitivamente quebrada

Atravessando o terceiro rio

Atravessando o terceiro rio

Na caçamba da camionete

Na caçamba da camionete

 
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Publicado por em maio 28, 2013 em Uncategorized

 

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