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Haiti – Resumo

O que dizer do Haiti? Não vamos nos prender ao esteriótipo de que é um país falido, sem infraestrutura, sem governo, sem PIB, sem turista, etc. Isso é o que ouvimos, vimos pela TV. Do mesmo jeito que um belga que conhecemos em Cabarete (Rep Dominicana) nos disse que não vai ao Rio por conta dos arrastões na praia (aconteceram há mais de 15 anos), muita gente pensa que só de pisar em Porto Príncipe, vai ser agarrado e assaltado por uma turma de desesperados. Não é nada disso.

Mas infelizmente a realidade não fica longe disso. O país é pobre, as ruas estão em estado de calamidade, em termos de sujeira. Não há quase coleta de lixo, e isso realmente incomoda, e diria que seria o fator principal para afastar os turistas. Eles deveriam cuidar mais deste ponto, mas ao mesmo tempo sei que não é a prioridade em um lugar onde falta literalmente tudo. Ou quase tudo.

O que não falta é disposição do povo para seguir em frente. A vida não acabou no terremoto de 2010. As pessoas estão lá, e têm que continuar. E a vida parece ser uma constante luta pela sobrevivência diária. Não há espaço para lamentos, depressões, e preocupações com limpeza, organização e respeito à algumas leis. Exemplo : apesar de tudo, a criminalidade é baixa, quem é pego roubando é preso, se não for linchado antes. O trânsito é caótico mesmo, já descrevi um pouco sobre isso. Tem alucinados como nosso motorista de taxi na chegada á PAP, mas a maioria espera pacientemente nos engarrafamentos.

Chama a atenção Petion Ville, que fica nos arredores de PAP, e é o bairro/cidade dos bacanas. Dizem que há 11 famílias que controlam a economia. Não sei se é verdade, mas sei que vimos alguns Porsches, BMWs e Mercedes em Petion Ville, quase todos dirigidos por haitianos. É quase que uma ilha da fantasia o lugar, inacreditável a diferença de vida entre Petion ville e Porto Príncipe, à apenas alguns kms de distância.

Lotação esgotada!

Lotação esgotada!


Ai meu dente

Ai meu dente


Transporte alternativo

Transporte alternativo

Outra coisa que chama a atenção é que os gringos das ONGs, e outras agências de ajuda causam verdadeira ojeriza nos haitianos. São pessoas, a maioria jovem, que vêm pro país ganhar salários altos, ter uma vida cheia de mordomias (às vezes o conceito de mordomia pode ser relativo, só de ter roupa limpa, comida e uma boa cama já é considerado uma grande mordomia), e que não se misturam com o povo que necessita tudo.Estão lá quase que por obrigação. Isso não passa desapercebido. Aliás, um detalhe: a organização Viva Rio foi muito bem comentada, passando longe disso que acabei de descrever.

Os brasileiros são em geral muito bem conceituados, tanto pelo futebol, claro, como pela participação efetiva no processo de pacificação. Ponto pra nós, apesar da polêmica se deveríamos estar gastando tantos recursos em outras terras, já que tantos brasileiros precisam desses recursos tanto quanto eles. Mas conforta saber que não é recurso jogado fora.

Fora de Porto Príncipe, a vida pode ser mais difícil ou fácil. Difícil por ficar quase que totalmente fora do radar dessas organizações, que focam muito mais na capital e em Cap Haitien. Quando estávamos parados na estrada de terra, com a camionete quebrada, passou uma SUV com 2 americanos de camisa social e gravata (era domingo), e 3 adolescentes no banco de trás, também de camisa social e gravata. isso mostra que os missionários estão sim, mais próximos do povão, e fora dos grandes centros. Fácil por ficar longe daquela confusão, por não ter sido atingido pelo terremoto, pelo povo ter uma vida muito mais simples, sem miséria, apenas vivem com muito pouco recursos. Porém, parecem mais felizes, e por não ter acesso às informações, não sentem faltam do que não sabem existir. E conta bastante o fato de que em alguns lugares que passamos não haver turistas nenhum. Em Cap Haitien é um pouco diferente, há poucos turistas, mas muitos estrangeiros de agências. Então existe mais contato. Lembro que o rapaz da guesthouse de Porto Príncipe disse que nós éramos os segundos turistas do ano, que ali se hospedava mais o pessoal de missões.

Pescador em Labadie

Pescador em Labadie


Tecnologia

Tecnologia


Cap Haitien

Cap Haitien

Claro que não cabe à mim dissertar sobre qual seria a solução para o Haiti, nem tenho esta pretensão. Apenas lamento o que ouvi sobre as interferências externas (principalmente dos Estados Unidos, é claro) sobre a política, e decisões fundamentais para o país (até como o resultado das últimas eleições).

Valeu à pena ter ido? Para um turista regular, é claro que não. Não se come bem, não se move bem, a sujeira está em todo lado e a infraestrutura é precária. Mas para mim valeu muito à pena. Vi um país guerreiro, com um povo genuinamente simpático e hospitaleiro, não senti em nenhum momento medo. Confesso que pelo o que tinha lido antes de ir, estava apreensivo sobre Porto Príncipe, e por isso até não contei lá em casa que iria ao Haiti. Mas estava enganado. A experiência em Labadie mostrou o lado autêntico de um povoado que não recebe ajuda, (quase nenhuma) visita, que vê 4 ou 5 vezes por semana um transatlântico ancorar bem em frente, e milhares de turistas milionários (comparados com eles) se divertirem o dia todo, e nem se darem ao trabalho de ir lá conhecê-los. Como esse povo trata 2 turistas brancos, milionários (comparado com eles, éramos sim milinários), e que ficaram 2 dias por lá? Com cordialidade, gentileza, hospitalidade. Uma agradável surpresa!

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Publicado por em junho 8, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Cap Haitien

Na volta para Cap Haitien, rapidamente compramos a passagem para o dia seguinte, para voltar a Republica Dominicana (Cap Haitien – Santiago). Depois arrumamos um hotel, bem ruinzinho e bem carinho.

Daí nos mandamos para visitar a Citadelle Henry. Pegamos um matatu (van-caminhonete, e andamos uns 25 kms até Millot. De lá fica a subida a até a Citadelle. São 8,5 kms de subida, em um desnível de 970 metros. Lá embaixo, na entrada, fica o Palácio de Sans Souci, bem em ruínas mas um bom aperitivo. Demoramos 90 minutos, subindo em um ritmo forte, sem paradas. Chegamos lá em cima encharcados de suor, com as pernas bambas de cansaço. Desde o início do caminho, um sem número de haitianos nos oferecem caronas de motos ou cavalos (pagas, é claro). Fora os guias. Éum saco, mas dá pra entender, já que éramos os únicos estrangeiros do pedaço.

Chegando lá em cima, uma surpresa. O lugar é simplesmente fantástico, super conservado, com uma vista espetacular. Descansamos e passeamos por um bom tempo. À 1,5 km do topo, estão construindo um estacionamento e lojas para turistas, o que deve significar que algo pode mudar (hoje não há demanda para este investimento, por falta de turistas).

Na hora de descer, pegamos uma carona em uma caminhonete particular (o cara parou, e nem perguntou nada), e nos levou de volta até Cap Haitien, fantástico!

Uma atração turística excelente, para mim impensável, e que deveria fazer parte do pacote dos navios (quem sabe é o que vai acontecer).

Cap Haitien é uma cidade com estilo colonial, bem mais agradável que Porto Príncipe (não é vantagem). No entanto, quando visitamos o mercado, ficamos bem impressionados. Primeiro porque é um supermercado no sentido literal da palavra, um mercado enorme, parte ao ar livre, parte dentro de um galpão de ferro, mas as condições sanitárias são horrorosas, da medo. Foi uma decepção.

Palácio Sans Souci

Palácio Sans Souci


Citadelle Henry

Citadelle Henry


Cape Haitien - colonial

Cape Haitien – colonial

 
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Publicado por em maio 30, 2013 em Haiti, Uncategorized

 

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Não Conta lá em Casa

Depois de ter um dia super intenso em Porto Príncipe, deixamos a cidade partindo para Cap Haitien, que fica no litoral norte do Haiti. Tudo indicava um dia tranquilo, se não fosse o idiota da guest house, que garantiu saber onde se pegava o ônibus até lá. Ele nos pediu somente que pagássemos a gasolina, e nos levaria até o local. Pediu 3 galões, o que significa 11 litros. Só que depois de 5 km, ele parou num posto de gasolina, falou com um haitiano em creole (o idioma local), e nos disse que poderíamos entrar em uma van, que nos levaria a uma cidade à 4 km de Cap Haitien. De lá seria fácil chegar ao destino final.

Como não sabíamos exatamente o que fazer, decidimos topar. Tínhamos lido que a viagem demoraria umas 7 horas, e seria meio tenebrosa, então achamos que estava tudo certo. Não estava. Logo vi uma placa apontando Cap Haitien na CN1 (Carretera Nacional 1), e alguns kms depois, vi que estávamos na CN3, isto é, outra estrada. Bem, como a van parecia uma lata de sardinha, e eu estava sentado com uma banda num banquinho lateral e outra no ar, e encostado na mala (literalmente) do meu vizinho de trás, achei melhor tratar somente da minha sobrevivência e deixei pra lá.

Em uma rápida parada, conhecemos o Pascal, um simpático negão haitiano que estava sentado lá no banco da frente. Ele nos disse que a van ia para em uma cidade à 50 kms de Cap Haitien, e dela teríamos que pegar outro transporte, mas que ele iria conosco. O incrível que aconteceu é que a estrada passa por dentro de um cemitério. Isso mesmo, por dentro. Essa é inédita pra mim.

Ah bom! Assim fiquei tranquilo. Estávamos já numa estrada de terra (devia ser a CN249), no meio do mato, quando a van parou e o motorista disse que ali era o ponto final. Todo mundo desceu, e o nosso amigo Pascal disse que teríamos que ir de moto uns 10 kms até a vila mais próxima, para pegar um ônibus. E assim fomos, eu na garupa de um cara que nem falava nenhuma língua que eu soubesse, e o Guilherme na garupa do Pascal, que estava na garupa de outro mototaxista. Ainda bem que fiz seguro de viagem!!!

Dez kms depois o Pascal para uma caminhonete, e nós saímos das motos e fomos para a caçamba da camionete. Tudo ótimo, se não fosse meio dia, o sol estar de rachar o coco, e a tal da camionete andava 1 km, parava, o motor morria, os caras abriam o capot, ligavam, andavam mais 1 km, e morria de novo e assim foi, mais de 10 vezes. Cruzamos alguns rios, onde o slocais lavavam roupas, motocicletas, tomavam banho, e a vida seguia. Depois de enguiçar umas 5 vezes, o próprio Pascal perdeu a paciência, e resolveu pegar um mototaxi, e nos deixou lá. Uma roubada.

Sim, e a roubada aumentou. Começou a entrar gente e carga até não poder mais. Eu fiquei tão espremido, que nem 1 ano de pilates, combinado com acumpultura resolveria o problema. Não sei se foi sorte ou azar, mas a van parou de vez, e dali não saímos mais. Passou quase 1 hora, até que passou outra camionete, e saiu um carinha da nossa cabine e foi para a outra camionete. Quando resolvemos fazer o mesmo, nosso motorista disse que tínhamos que pagar a corrida. Achei um absurdo, já que não tínhamos andado nem 10 kms, e a van estava enguiçada. Que absurdo explorar os turistas!

Conversei com o Guilherme, aí ele me disse que viu o carinha pagar a viagem da primeira camionete, e resolvemos que na próxima camionete, nós pagaríamos e nos livraríamos daquela roubada. E assim foi. Só não esperava que os pobres haitianos, bem humildes, que estavam na nossa camionete e resolveram fazer o mesmo sem pagar quase apanharam do motorista e do seu ajudante. Na verdade, eles não estavam explorando os turistas (nós), e sim qualquer um.

Depois disso, andamos mais 50 kms, de novo espremidos que nem sardinha e chegamos a Cap Haitien. O desgraçado da guest house, que quis se livrar de nós, nos deixando numa van errada, mal sabe que nos fez um favor. Isso porque nos divertimos a valer, apesar de toda a roubada. Conversamos com muitas pessoas, conhecemos o Haiti rural, enfim, tivemos uma experiência única (mesmo!).

Chegando lá, em pleno domingo à tarde, outra surpresa : hotéis super caros e horríveis. Tínhamos ouvido falar de uma praia chamada Labadie, que fica a uns 15 kms de Cap Haitien, e sugeri que fôssemos direto pra lá. Pegamos um mototaxi, repito um só mototaxi, com nós 2 na garupa (mais as mochilas), e lá fomos até uma praia, de onde pegamos um barco até Labadie. Só não é indescritível, porque traz muitas semelhanças com Ilha Grande, ou Parati. Um verdadeiro paraíso. Havia um hotel um pouco afastado, mas obviamente era caro, e meio sem vida. Então nosso amigo barqueiro nos levou até a vila, onde poderíamos arrumar hospedagem barata.

Claro que não havia nenhum outro turista no local. Ficamos em 2 quartinhos na casa de uma dona de restaurante. Banho de caneca. Rapidamente conhecemos metade da vila, tomamos cerveja, fomos nadar ao entardecer. Caraca, depois de um dia de cão, terminamos com chave de ouro. Desde Porto Príncipe pegamos 7 transportes até chegarmos a Labadie. Não dava mesmo pra contar lá em casa onde eu estava. Só na volta que eles vão saber hehe.

Camionete definitivamente quebrada

Camionete definitivamente quebrada

Atravessando o terceiro rio

Atravessando o terceiro rio

Na caçamba da camionete

Na caçamba da camionete

 
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Publicado por em maio 28, 2013 em Uncategorized

 

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O Haiti é Aqui!

Bem, depois de mais de 1 ano, cá estou eu na estrada de novo. Quem leu algo sobre o blog do Guilherme, já sabe quem ele é. O fato é que nós nos encontramos em 2 finais de semana em Curitiba, onde ele e a Bianca, sua adorável esposa moram. Foram 2 finais de semana super intensos, falando de viagens quase o tempo todo, exatamente como a gente gosta.

Depois disso, ficou aquela vontade de um dia quem sabe, a gente fazer uma viagem junto. Surgiu uma oportunidade de eu tirar 1 semana de férias, e juntar com o feriadão, o que no total daria 11 dias. Conversando com ele, surgiu a ideia de irmos juntos para a República Dominicana, para onde a GOL voa, e se pode ir com bilhetes de milhagem. Resultado : tiramos as passagens, e ficou no ar aquele sentimento de que seria inevitável 1 dos 2 puxar o assunto de cruzar a fronteira para o Haiti.

Não demorou muito, e o assunto foi puxado (por ele), e imediatamente aceito. Desta forma, chegamos na quinta dia 23 à tarde em Santo Domingo, para sairmos sexta às 8 da manha rumo à Porto Príncipe. A travessia é fácil, dura 1 hora, sem muita burocracia. Às 3 da tarde já estávamos na cidade, isto é, nos arredores, pois o ônibus (de luxo, diga-se de passagem) deixou-nos ao lado da Embaixada Americana. Não tínhamos ideia de onde estávamos, na realidade, fora da cidade. Barganhamos um taxi para nos levar ate a Guest House que tínhamos reservado pela internet. O motorista nos pediu U$ 60, e resistimos muito até fecharmos por U$ 30. Não tínhamos ideia do que estava pela frente.

A “viagem” demorou 90 minutos, isso pois o cara era um lunático, que literalmente não perdeu nenhuma dividida no caótico tâansito de PAP (Porto Príncipe). Até de um trator ele levou a melhor, isso sem falar na bronca que ele deu no carro de polícia, que podia andar mais uns metros pra frente, e dar passagem pra ele. Ate na contramao de uma avenida, com canteiro central ele pegou. Subiu algumas vezes na calcada, sentando a mao na buzina para os pedestres sairem da frente. Ah, faltou falar que tinham 6 passageiros, mais as bagagens de todos dentro e em cima do carro, quase morremos asfixiados.

Mas chegamos inteiros, e para surpresa nossa, a guesthouse era simplesmente demais. O quarto da vontade de ficar por 1 semana. Nao tinha mais nenhum hospede por aqui. Saimos para explorar o bairro antes de entardecer, e ja deu pra perceber o que e’ o Haiti.

Comercio quase todo informal, na calcada. Nenhuma lei no transito, vale tudo. Consciencia ecologica igual a zero. Zero mesmo! Uma tristeza ver tanto lixo pra todo lado. Nao vi um caminhao de lixo, e somente algumas latas de lixo.

Bem, o atendente da guesthouse, bem fechadao, nos levou a um restaurante de um hotel perto, onde jantamos. So tinha outra mesa ocupada, por umas missionarias americanas. Desde que chegamos, da pra contar nos dedos quantos estrangeiros vimos. Nao sabemos se sao turistas, acho que malucos como a gente nao deve ter muitos.

Hoje fomos para o centro, e tivemos uma aula de Haiti. Pra quem leu o post sobre o Mercatto, de Addis Abeba, na Etiopia, pode ter uma ideia do que vimos. So que aqui e’ um Mercatto gigante. Talvez sem algumas cenas de degradacao extrema do ser humano como vimos por la, mas aqui e’ muito maior, praticamente todo o centro. E’ mais chocante ver tudo isso, do que a devastacao do terremoto, que e’ muito notada no centro, mas concentrada em alguns predios. Vou postar fotos e videos depois, vai dar pra ter uma ideia.

 

Local onde era o Palácio de Governo - destruído

Local onde era o Palácio de Governo – destruído

Catedral de Notre Dame - destruída

Catedral de Notre Dame – destruída

Esquina no centro de PAP

Esquina no centro de PAP

Bonecos de Vudu

Bonecos de Vudu

À tarde fomos na região chamada de Petion Ville, que é onde se encontram os hotéis de luxo e as embaixadas e mansões. Sim, vimos tudo isso, mas até lá a sujeira, o caos e a desordem chegam. É sufocante. Andamos de ônibus local, de taxi coletivo, tivemos a experiência completa. Isso sem falar no calor que oficialmente era de 36 graus, mas a sensação era de uns 45.

Mas algumas observações são necessárias : não tivemos em nenhum momento sensação de medo, o povo é muito hospitaleiro, sempre querendo nos ajudar. Para quem não tem praticamente nada, a proporção de gente pedindo dinheiro é mínima, chega a chamar atenção. Quase ninguém olha pra gente, a maioria nem nos nota.

Amanhã vamos para Cap Haitien, que fica no norte. Acho que a viagem em si já vai ser uma aventura, mas foi pra isso que viermos, né?

 
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Publicado por em maio 25, 2013 em Uncategorized

 

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Leste da Africa – Resumo Final

Bem, estou em Joanesburgo, aguardando meu voo de volta pra casa. Passei as ultimas 5 semanas contando, em quase todos os detalhes, essa viagem. Pra quem chegou agora, vou fazer um resumo, tentando colocar em ordem minhas opinioes sobre os 4 paises em que estivemos : Etiopia, Uganda, Ruanda e Quenia.

Pobreza : medalha de ouro para a Etiopia. Fora de Addis, a grande maioria nao tem nem sapato, e olha que faz frio onde estivemos. A preocupacao e’ o dia seguinte, e nao o futuro. Nao ha perspectiva alguma. A explosao populacional so’ agrava o problema. Quem paga a conta e’ o meio ambiente, ja’ quase nao ha’ florestas originais. Uganda vem em seguida, com uma impressionante densidade populacional. Mas esta’ melhor do que a Etiopia. As perspectivas sao melhores tambem, ja’ que houve importantes descobertas de petroleo recentemente. O pais tem muitos atratativos, potencial turistica, que infelizmente e’ pouco explorado. O Quenia vem em seguida, e tem uma grande vantagem : por sua posicao geografica, porte, e passado relativamente mais tranquilo que os vizinhos, e’ o queridinho das organizacoes que querem se estabelecer no Leste da Africa. Nairobi e’ um hub nao so’ aereo, mas como sede destas organizacoes. O potencial turistico e’ o maior de todos, o Parque Nacional Masai Mara sendo a joia da coroa, com seus safaris espetaculares. Seu litoral e’ tambem muito explorado (especialmente por italianos endinheirados). Pena que so ha’ 3% de florestas nativas, o descaso com o meio ambiente e’ assustador, e a populacao continua crescendo muito mais do que deveria. Em ultimo, o que e’ uma coisa boa neste quesito, vem Ruanda. Sendo o menor dos 4, tem a vantagem de ser mais administravel. Porem, com o recente genocidio, houve uma reviravolta em sua trajetoria. Recursos polpudos da arrependida comunidade internacional, mais um governo com mao de ferro, porem bem intecionado com relacao ao progresso e combate a corrupcao vem alcando Ruanda no ranking africano. E’ superior a olhos nus, por qualquer criterio, menos um : a densidade populacional e’ alarmante. Nao ha’ mais espacos vazios no pais, fora dos parques nacionais nao ha mais florestas nativas, e a pressao so’ aumenta com o aumento da populacao.

Povo : neste quesito a medalha de ouro vai para Uganda. O povo e’ disparado o mais simpatico, como ja’ disse antes as pessoas cumprimentam com “How are you today?”, todos parecem querer receber bem o turista. No Quenia, onde estivemos somente no litoral, destaca-se Lamu, onde mesmo quem nao tem “negocios” com os turistas faz questao de cumprimentar, dizer “Welcome”, e as criancas sao encantadoras. Na Etiopia, pela carencia aguda de tudo, todos cumprimentam pedindo algo, as criancas querem dinheiro para tirar fotos, acaba sendo um pouco cansativo. Porem temos que entender que eles nos encaram como uma chance de conseguir algo, qualquer coisa mesmo. Ja’ Ruanda fica em ultimo, o povo e’ muito mais serio, ninguem cumprimenta espontanemente, estao preocupados em tocar suas vidas.

Comida : esse quesito e’ muito dificil de julgar. Depende de cada restaurante, de cada prato que escolhemos, e claro que do gosto de cada um. O Leo e’ quase vegetariano (come peixe), e teve suas limitacoes. Eu nao como manteiga, e por precaucao, quis me comportar. Acabamos nao ousando muito, o que significa comer muito peixe, massas, e poucos pratos tipicos, que via de regras levam muita carne e frituras, alem de pimenta pesada. Mas admito que comida nao foi o ponto alto da viagem. Por outro lado, salvo uma unica excecao, nao tive qualquer problema (claro que vou tomar remedio para germes assim que chegar do aeroporto hehe).

Hoteis : procuramos ficar em hoteis, sempre em quartos duplos com banheiro dentro. So’ isso ja’ diminui o perrengue. Porem, em alguns lugares, ou os hoteis sao ruins mesmo, ou se paga os tubos, e os hoteis continuam ruins. A Etiopia tem os piores, disparado. Nao ha qualquer investimento em melhoras minimas, como pintura, limpeza, iluminacao, manutencao de qualquer tipo. As vezes demos sorte, e o de Lamu merece medalha de ouro, o de Lake Bunyonyi a de prata, e acho que nao dou medalha de bronze pra ninguem. Fica facil assim?

Transporte : este quesito mereceria um post a parte. As viagens de onibus sao uma aventura por si so’. Ou se leva na esportiva, e se diverte a valer em cada uma delas, ou desiste. Nao ha qualquer viagem de onibus convencional. O que dizer das vans? So’ saem quando estao cheias, alias cheias nao. Entupidas. E ai’ acontece de tudo. Na van dos espanhois que conhecemos na Etiopia uma galinha botou um ovo no meio da viagem!  E os tuk-tuks? So’ de andar neles da’ vontade de rir. Os motoristas sao umas figuras. Em Axum, o motorista queria passar um torpedo no meio de uma estrada toda esburacada, em Mombasa , o cara nao sabia o caminho para o hotel, e a estrada era horrorosa, achei que o tuk-tuk dele foi desmontar literalmente. Na volta acabou a gasolina na estrada, tivemos que empurrar, o cara levou na maior esportiva. Demos ate’ gorjeta. Enfim, pra quem quer uma experiencia africana de verdade, tem que passar por tudo isso, ou entao fica faltando algo.

Limpeza : definitivamente a Africa nao e’ para amadores. Salvo as ruas de Ruanda, nao existe QUALQUER preocupacao em limpeza, ou com o meio ambiente. Foi o ponto mais baixo da viagem, disparado. Alem do desconforto de caminhar no meio de lugares imundos, fedorentos, a constatacao de que isso nao incomoda a ninguem foi chocante. Talvez seja o que me desestimule a voltar aqui logo.

Custos : dormindo onde dormimos, pegando os transportes que pegamos, comendo o que comemos, e’ impossivel gastar muito. Olha que pegamos varios voos internos, mas que tambem sao baratos. E nao dormimos em espeluncas, so’ pegamos onibus das melhores categorias disponiveis (!?!?), so’ comemos em restaurantes, nunca em camelos. Pra gastar mais, tem que mudar de categoria de hotel, restaurante, etc, ai’ a viagem muda de classificacao tambem.

Vistos : so’ por curiosidade, da’ pra tirar TODOS eles nas fronteiras, nao precisa providenciar nenhum com antecedencia. E saem mais barato por aqui.

Policia : dizem que na Africa as vezes sao mais perigosos do que os bandidos. Nao tivemos nenhuma experiencia ruim com policia, nem com corrupcao. Nao da’ pra falar nada deles. Nao sei foi sorte nossa, mas parece que a coisa esta’ melhorando.

Seguranca : no inicio, na Etiopia, eu andava com a pochete, pois tinha sensacao de seguranca total. O que me incomodava mais era saber que tinha dentro dela mais dinheiro do que a maioria daquelas pessoas tinham na vida toda (e nao era tanto assim). Quando chegamos em Nairobi, para pegar o onibus ate’ Kampala, eu aposentei a pochete, passei a usar o cinto interno, e fui assim ate’ o final. Mas continuei nao tendo qualquer sensacao de inseguranca. Passamos por inumeros lugares escuros, onde comentavamos que se fosse no Brasil nao passariamos de jeito nenhum. Ja’ mencionei o caso das bombas de Kampala, que nao lembravamos, portanto nao tivemos qualquer receio. E o caso do turista ingles assassinado em um resort perto de Lamu no dia em que chegamos. So’ descobrimos depois. Nao sei se o link vai funcionar, mas segue o da BBC sobre o caso :

http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-14943300

Outros viajantes : bem, em uma viagem como a nossa, eles sao tao ou mais doidos do que nos. Isso significa muito papo sobre outras viagens, muitas dicas, muitas opinioes diferentes, mas via de regra muito interessantes. A grande maioria tem idade para ser nossos filhos, mas parece nao se importar muito com isso. Sempre ha’ algum assunto interessante, sempre vale a pena puxar papo. Sempre aprendemos algo, em cada conversa. Claro que ha as excecoes, mas nao podemos reclamar.

Planejamento : nao tive muito saco pra ir mais a fundo no planejamento, mas posso dizer que foi um sucesso. E’ so’ pegar o mapa no inicio do blog, com o roteiro programado, e comparar com o realizado. A diferenca pra mim ficou com o leste da Etiopia, que entrou nos planos por conta dos dias ganhos fazendo de aviao o que fariamos de onibus. E para o Leo, que foi conhecer Malindi, pois tinha um dia a mais do que eu. No mais, chegamos a ganhar algum tempo, nao so’ por voar, mas por pegar um onibus noturno (Nairobi – Kampala), e pelos transportes serem mais disponiveis do que previamos. Nao consigo pensar em um plano diferente, mesmo ja’ tendo vindo, e descoberto como sao as coisas. Nao houve nenhum lugar que nos levasse a pensar “Por que nao planejamos ir para la’?”. Claro que ha’ muitos lugares, principalmente em Uganda que devem valer a pena, mas fica pra proxima (vida?).

Companhia : nao ha’ o que reclamar. Nao teria feito sozinho. Agora nao basta dizer isso, porque pra fazer essa viagem, tem que ser com alguem que esta’ a fim de ter essa experiencia. O Leo, mesmo com seu jeito reclamao de ser, curtiu tanto quanto eu, queria ter a mesma experiencia. Nunca evitamos encarar uma van lotada, um mercado cheio e fedorento, etc. Quando a coisa piorava, eu sempre lembrava que estavamos pagando em dolar por aquilo, e logo davamos risadas. Foi muito bom. Cinco semanas na Africa, e no final, em vez de cansados um do outro, ja’ estavamos planejando a proxima. Ui!

Bem, e’ isso ai’, agradeco o apoio, nao so’ pelos comentarios, que nao foram muitos, mas pelo numero de acessos, que foi maior do que imaginava (nao avisei pra tanta gente assim que estava embarcado nessa aventura). Prometo postar as fotos assim que chegar.

 
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Publicado por em setembro 19, 2011 em Africa

 

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Harar – a cidade que nao estava no mapa

A etiopia tem mais de 50% da populacao crista ortodoxa e quase 40% de mucumanos. Harar fica na area muculmana. A cidade e’ pequena, e tem uma medina, que e’ uma cidade velha, cercada por muralhas. A de Harar tem 6 portoes. Chegamos de aviao em Dire Dawa, e dela’ pegamos uma van, que demorou 1 hora pra chegar. Tinham 17 pessoas de novo, mas desta vez so’ 1 pessoa vomitou.

A primeira coisa que notamos e’ a ausencia de turistas. Vimos pouquissimos. Uns 4 na chegada a praca principal, e depois uma meia duzia a noite, no ponto alto da visita, que vou descrever mais tarde. A cidade e’ uma mistura perfeita de Africa com Oriente Medio. mas infelizmente com o pior dos 2. A cidade murada e’ bem tipida arabe, com ruelas estreitas, subidas e descidas, labirintos, da pra se perder rapido. Ai entra a parte africana. Nas ruelas principais e’ um verdadeiro mercado africano, com uma multidao, comida e lixo pra todo o lado.Vendem de tudo, vimos ate venda de garrafa pet vazia. Sera comico se nao fosse bem tragico.

Sem falar nos mendigos. A higiene e’ abaixo de zero, a vontade e’ de jejuar por uma semana. Acho que ja estamos ficando um pouco anestesiados ao ver tanta miseria e sujeira, mas sempre ha alguma cena que nos surpreende. Chama a atencao o numero de pessoas que ficam deitadas na rua, as vezes quase todas cobertas, da pra ver que e’ um ser humano pois as vezes tem um pe’ ou uma mao pra fora. Acho que eles sao resignados com o destino deles, nao ha esperanca de que algo vai mudar suas vidas. Por isso que tanta gente nos pede algo. Eles nao sao mendigos de carreira, apenas veem uma oportunidade de ganhar algo, um dinheiro, um alimento, uma caneta, ou qualquer coisa.

Era sexta feira, que e’ o domingo dos muculmanos. E alem do mais estamos em pleno ramadan, o mes sagrado dos muculamnos, quando nao se come nada desde o nascer ate o por do sol. Pensei que por isso as ruas estariam vazias, sem comercio e movimento. Tolinho eu. Um super movimento. Dizer que Harar ainda nao esta’ no seculo 21 e’ uma injustica com o seculo 20. A unica coisa que lembra o seculo 21 e’ a telefonia celular, e o seculo 20 sao poucas. Dentro da cidade murada sim, parece o seculo 15 ou 16. me recordo da cidade murada de Fez, no Marrocos, acho que a mais tradicional ou original de todas as medinas. Mas la’ e’ bem mais limpo e organizado, comparando com Harar, e’ claro.

A noite entao veio o ponto alto. Nosso guia local, o Daniel veio nos buscar as 6 e meia, cruzamos a cidade murada, saimos pelo outro lado, passamos por mais ruas que pareciam favelas ate chegarmos em um terreno baldio, onde outros turistas ja’ estavam de pe’. Veio um negao colocou um pano no chao, ajoelhou nele, tinha uma cesta na mao. Comecou a dar uns gritos estranhos, e logo apareceram 3 hienas. Ele comecou a dar pedacos de carne na boca delas. Depois vimos que eram na verdade 6 hienas. O show continua um pouco ate que um dos turista e’ chamda a se ajoelhar no pano, e ele mesmo alimentar as hienas. Um pedaco de pau, com a carne na ponta. Elas vem e pegam a carne. Depois ele botou o pau na boca (no bom sentido), com a carne na ponta, e continua a alimenta-las. Tudo isso regido pelo negao.

Proximo da lista foi o Leo, que cumpriu bem seu papel. So que o negao colocou um pedaco de carne nas costas dele (no bom sentido de novo, por favor), e a hiena veio com tudo, com 2 patas nas costas dele, sem ele ver (no bom sentido, de novo). Foi um super susto. Pra terminar, foi a minha vez. Tudo documentado com fotos. Nao adianta dizer que usamos photoshop, pois nao isso aqui na Etiopia. Na verdade ja sabiamos deste show, ja tinha visto fotos e ate filme na televisao, e tambem no blog do Guilherme. Entao estava meio que preparado. As hienas pareciam bichos de estimacao, mas ficava sempre me lembrando que eram hienas de verdade. Acho que esta’ no top 3 da Etiopia ate’ agora, junto com Lalibela e o palacio de Gonder.

Nao vai faltar gente perguntando porque estou aqui, com tanta miseria, sujeira e alguns perrenges. Acho que nossa cabeca e’ formada por informacoes que recebemos dos pais, da escola, de amigos, de livros, televisao, filmes, e claro de experiencias pessoais. Pra mim, esta viagem e’ um complemento, sou curioso de ver como vivem, como pensam outros povos. Tem sido uma licao de vida. E o povo etiope e’ super pacifico, conformado, educado e simpatico, guardadas as devidas circunstancias em que se vive por aqui.

O titulo deste post se refere ao fato de que Harar nao estava no meu mapa da viagem, pois nao estava previsto virmos para ca’. E nao esta’ no mapa da maioria dos viajantes, que preferem o circuito historico do norte (o mesmo que fizemos) e o do sul (que nao fizemos), que trata de visitar tribos.

 
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Publicado por em agosto 27, 2011 em Africa, Etiopia

 

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Miscelaneas

Bem, aqui na Etiopia para usar a internet tem que ser rapido. Se for no hotel de Addis, tem sempre uma fila de viajantes querendo usar, fazendo pressao. Se for em algum cyber, a conexao cai, ou as vezes uns sites funcionam, e outros nao. Entao as vezes acabo um post, e depois de sair do computador eu lembro de coisas que nao escrevi.

Uma delas, referente a viagem de onibus de Bahir Dar para Addis e’ que a programacao cultural foi intensa. Durante 9 das 10 horas da viagem, a televisao mostrou videoclips, novelas e ate filmes em amarico. O problema foi o volume, tao alto, que impossibilitava qualquer outra atividade, como dormir, ouvir musica e conversar com o Leo. A buzina do onibus tem um volume compativel, mas neste caso e’ para tirar os animais (e humanos) que ficam de bobeira no meio da estrada. Acho que eles primeiro vao na loja escolher a buzina, e depois compram o resto do onibus.

Outro detalhe e’ com relacao aos animais. Os etiopes simplesmente amarram a cabeca dos cavalos a uma das patas dianteiras, para que eles nao fujam. Ou eles ficam abaixados pastanto, ou para levantar a cabeca tem que ficar com a pata levantada. Uma tortura. E isso e’ geral, vimos em todo o pais. Como a populacao e’ muculmana ou crista ortodoxa, nao ha porcos no pais. Logo aqui que seria um paraiso pra eles (sem brincadeira).

Sobre os aeroportos da Etiopia, alguns comentarios : os banheiros sao horriveis, os piores que ja vi. O pior de todos, por incrivel que pareca e’ o do terminal internacional de Addis. Nao da’ pra entrar. Ja’ os voos da Etiopian Airlines foram impecaveis, todos sairam ou na hora certa, ou adiantados. Alias, am Axum ficamos de papo com aquele casal americano, e quase perdemos o voo. Perguntamos varias vezes sobre o voo para Gonder, os funcionarios sempre dizendo que nao era, e de repente a sala de embarque estava vazia, a porta de embarque trancada, e todo mundo sentado dentro do aviao. Passamos um pouco de vergonha. Mas como atenuante o aviao estava 15 minutos adiantado, e foi erro de informacao deles.

Alias, ha outra coisa que nos marcou aqui. Em todo lado, os etiopes dao informacao ERRADA com a maior conviccao. E’ impressionante, acho que de cada 20 vezes que perguntamos algo, em todas eles respondem com conviccao, e em 19 estao errados. Motorista de taxi entao e’ 20 em 20.

 
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Publicado por em agosto 27, 2011 em Africa, Etiopia

 

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